O clube das Forças Armadas comunicou à sua massa associativa que a Unitel, detentora dos direitos, impôs o fim das transmissões digitais dos clubes. Mas deixou uma porta aberta: se não houver cobertura da patrocinadora, o Agosto transmite.
O 1.º de Agosto comunicou aos seus adeptos que deixará de transmitir os jogos do Girabola nas suas plataformas digitais — e foi transparente sobre o motivo. A decisão não é do clube: resulta de uma imposição da Unitel, patrocinadora oficial da Liga Unitel Girabola, que pressionou a Associação Nacional de Clubes Angolanos de Futebol (ANCAF) a notificar todos os participantes da prova para suspenderem as suas transmissões próprias.
O clube afecto às Forças Armadas Angolanas deixou claro no comunicado enviado à sua massa associativa que a medida decorre do acordo formal entre a ANCAF e a entidade detentora dos direitos de transmissão, cuja observância “é obrigatória para todos os clubes participantes”. O 1.º de Agosto reafirmou o seu compromisso com o “cumprimento rigoroso das normas” que regem a competição e com “a defesa da credibilidade, organização e valorização” do campeonato.
Mas o clube não fechou a porta completamente. Nos casos em que a Unitel não assegurar cobertura de um jogo, o 1.º de Agosto reserva-se o direito de transmitir — “em conformidade com as orientações estabelecidas”. É uma ressalva que coloca a responsabilidade do lado da patrocinadora: se os adeptos ficarem sem acesso ao jogo, não será por culpa do clube.
Os direitos que ninguém quantifica
A situação expõe uma tensão mais profunda no futebol angolano. A Unitel assumiu o patrocínio oficial do Girabola em Janeiro deste ano, num momento em que a prova está em transição — a organização está a ser transferida da Federação Angolana de Futebol (FAF) para a ANCAF. O valor do contrato permanece desconhecido: o presidente da ANCAF, João Lusevikweno, invocou cláusulas de confidencialidade para não revelar nem o montante pago pela Unitel nem o que será distribuído aos clubes. A mesma posição foi repetida pelo presidente da FAF, Alves Simões.
Para os adeptos do 1.º de Agosto — e de todos os outros clubes —, o resultado prático é simples: os jogos deixam de estar nas plataformas dos clubes e passam a depender exclusivamente da cobertura da Unitel. Quanto vale esse acordo para cada clube, continua a ser segredo.