Mercado & Finanças

FMI prevê crescimento de 2,3% em 2026 e alerta para dependência do petróleo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta que a economia angolana cresça apenas 2,3% este ano, uma desaceleração face aos 3,1% registados em 2025. O diagnóstico, divulgado no relatório anual da instituição sobre Angola, é claro: enquanto o país não diversificar a sua economia, o crescimento ficará refém de uma variável que só tende a diminuir — as receitas petrolíferas.

O desempenho de 2025 foi conseguido a custo. A economia expandiu 3,1%, mas apoiada sobretudo na despesa pública e apesar de uma queda expressiva da produção petrolífera, que fragilizou simultaneamente as contas públicas e a posição externa do país. Para 2026, as perspectivas de médio prazo continuam modestas, dependendo, segundo o Fundo, do sucesso dos esforços de diversificação económica.

A inflação, entretanto, continua a recuar — situava-se nos 12,4% em Março deste ano, em parte graças à política monetária restritiva do Banco Nacional de Angola. Em termos médios anuais, o FMI prevê uma descida de 20,2% em 2025 para 12,9% em 2026, uma trajectória positiva que o próprio Fundo recomenda que seja sustentada.

As contas públicas sob pressão

O quadro orçamental é mais preocupante. A combinação entre a queda das receitas petrolíferas e derrapagens da despesa resultou num défice orçamental de 4,1% do PIB em 2025. Para este ano, o Orçamento de 2026 prevê consolidação, com o FMI a projectar uma redução do défice para 2,4% do PIB — antes de um novo agravamento para 3,6% em 2027.

A tendência estrutural nas receitas do petróleo é inequívoca: passarão de 8,5% do PIB em 2025 para 7,6% este ano e 6,7% em 2027. A subida recente dos preços do crude nos mercados internacionais oferece algum alívio temporário e melhora o acesso de Angola ao financiamento externo, mas o FMI avisa que as necessidades brutas de financiamento deverão continuar a aumentar.

A dívida pública bruta acompanha essa trajectória ascendente: de 51,3% do PIB em 2025, deverá subir para 51,6% este ano e 53,5% em 2027, aproximando-se progressivamente do limite estabelecido pela Lei da Sustentabilidade das Finanças Públicas. O Fundo recomenda que eventuais receitas petrolíferas extraordinárias sejam canalizadas para reduzir a dívida e reforçar as reservas — e não para despesa corrente.

Reservas estáveis, riscos à espreita

Do lado positivo, as reservas internacionais do Banco Nacional de Angola mantinham-se estáveis no final de 2025, cobrindo 7,4 meses de importações — um indicador de conforto relativo face a choques externos. Mas o FMI não esconde a preocupação: as perspectivas estão sujeitas a riscos negativos consideráveis, nomeadamente a volatilidade dos preços do petróleo, pressões crescentes sobre a despesa e um contexto de financiamento global mais restritivo — agravado pelo conflito no Médio Oriente, que levou a instituição a rever em baixa o crescimento global de 3,3% para 3,1% em 2026.

A mensagem do FMI não é nova, mas torna-se mais urgente a cada relatório: Angola precisa de reformas estruturais que apoiem a diversificação económica, a atracção de investimento estrangeiro e uma maior flexibilidade cambial.

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