Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da OPEP, numa decisão que representa um duro golpe para o cartel responsável, há décadas, por influenciar os preços globais do petróleo.
A decisão, comunicada com menos de uma semana de antecedência, põe fim a uma relação iniciada em 1967 e deverá reduzir a capacidade da organização de controlar a produção e estabilizar os mercados energéticos.
As autoridades dos emirados vinham, há anos, a manifestar descontentamento com o sistema de quotas da OPEP, que consideravam limitar injustamente as exportações do país.
O ministro da Energia, Suhail Al Mazrouei, justificou a decisão com a necessidade de maior liberdade estratégica: “O mundo precisa de mais energia, de mais recursos, e os Emirados Árabes Unidos querem estar livres de restrições impostas por qualquer grupo.”
O governante garantiu, ainda assim, que o país continuará a actuar como “produtor responsável” nos mercados internacionais. Apesar do simbolismo da decisão, o impacto imediato nos preços do petróleo deverá ser reduzido, devido ao contexto de guerra envolvendo o Irão, que tem obrigado os produtores do Golfo a cortar produção.
O conflito levou praticamente ao encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, condicionando o transporte marítimo e a oferta global.
Ainda assim, analistas alertam que, a médio e longo prazo, a saída dos Emirados poderá aumentar a volatilidade dos preços, uma vez que menos produção ficará sujeita a mecanismos de controlo.
Antes do conflito, os Emirados eram um dos maiores produtores da OPEP, com cerca de 3,6 milhões de barris por dia — aproximadamente 3% da oferta mundial.
O país tem planos para elevar a capacidade de produção para cinco milhões de barris diários até 2027, apostando numa estratégia centrada no aumento de volume, em vez da sustentação de preços elevados.
A decisão surge também num contexto de crescente afastamento entre os Emirados e a Arábia Saudita, líder de facto da organização.
As divergências entre os dois países têm-se intensificado, tanto na política energética como na abordagem ao conflito com o Irão e à segurança regional.
Segundo analistas, enquanto Riade procura manter preços elevados a longo prazo, os Emirados, com uma economia mais diversificada, privilegiam o aumento da produção e da quota de mercado.
A saída dos Emirados deixa a Arábia Saudita com maior responsabilidade na gestão do mercado petrolífero global, num momento de incerteza geopolítica.
A decisão segue-se à saída de outros países, como Angola, Equador e Qatar, mas ganha maior relevância devido ao peso dos Emirados na produção mundial.
Num comunicado oficial, Abu Dhabi sublinhou que a decisão reflecte “o interesse nacional” e o compromisso com investidores e mercados globais de energia — sinalizando uma nova fase na estratégia energética do país e um potencial ponto de viragem no equilíbrio do mercado petrolífero mundial.