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Lucros do BAI caem 39% no arranque de 2026, apesar de forte crescimento do crédito

O Banco Angolano de Investimentos (BAI) registou um resultado líquido de 62 mil milhões de kwanzas no primeiro trimestre de 2026, menos 39% do que no mesmo período do ano passado, penalizado pela quebra acentuada da margem complementar e pelo aumento dos custos operacionais.

De acordo com dados divulgados pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), o banco liderado por Luís Lélis viu os lucros recuarem face aos 102 mil milhões de kwanzas registados no primeiro trimestre de 2025, num contexto de pressão sobre receitas não financeiras.

A instituição explica que o desempenho foi condicionado sobretudo pela queda de 80% da margem complementar, que se fixou em 14 mil milhões de kwanzas, reflectindo a menor contribuição das operações de negociação de instrumentos financeiros. Em paralelo, os custos de estrutura aumentaram 28%, atingindo 50 mil milhões de kwanzas, impulsionados pelo reforço do investimento em infraestruturas tecnológicas.

Ainda assim, o banco apresentou sinais positivos na actividade core. A margem financeira cresceu 22% e os custos com imparidades para crédito a clientes recuaram 55% em termos homólogos, evidenciando uma melhoria na qualidade do crédito.

A carteira de crédito registou uma expansão significativa de 57%, alcançando 1,3 biliões de kwanzas, enquanto os recursos de clientes se mantiveram praticamente estáveis, com uma ligeira queda de 0,8%, para 3,7 biliões de kwanzas. O rácio de transformação subiu para 44,3%.

Nos indicadores de rentabilidade, o BAI apresentou um retorno sobre o capital próprio médio (ROAE) anualizado de 25,6% e um rácio de eficiência (cost-to-income) de 40,5%. Já a solidez financeira manteve-se elevada, com o rácio de fundos próprios regulamentares a atingir 27,3%, acima dos 26,5% registados no final de 2025.

O activo total do banco cresceu 8% até Março, fixando-se em 5,1 biliões de kwanzas, consolidando a posição do BAI como uma das principais instituições financeiras do sistema bancário angolano, apesar da pressão sobre os resultados no início do ano.

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