Internacional

Super iate de oligarca russo atravessa Ormuz com aval de Irão e EUA

O luxuoso iate Nord, avaliado em cerca de 500 milhões de dólares e pertencente ao magnata russo Alekséi Mordashov, conseguiu atravessar o estratégico Estreito de Ormuz com autorização simultânea do Irão e dos Estados Unidos, apesar do duplo bloqueio naval imposto na região.

Segundo fontes citadas pela agência Reuters, a embarcação de luxo recebeu luz verde de ambas as potências, numa decisão rara num dos pontos mais tensos do comércio marítimo global desde o início da guerra no Médio Oriente, em Fevereiro.

O Nord partiu do porto Rashid, no Dubai, após operações de manutenção, e já foi localizado no porto de Victoria, capital das Seychelles, de acordo com dados de monitorização marítima.

Não é claro como o iate conseguiu autorização para atravessar uma zona sujeita a fortes restrições, numa altura em que o estreito — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — se tornou um dos principais pontos de pressão geopolítica.

Teerão justificou a autorização com o facto de se tratar de “um navio civil de um país amigo em trânsito pacífico”, enquanto Washington não levantou objeções à passagem, segundo as mesmas fontes.

O Nord, com 142 metros de comprimento, foi construído em 2021 e é considerado um dos superiates mais luxuosos do mundo, com custos anuais de manutenção entre 40 e 50 milhões de dólares.

O seu proprietário, Alekséi Mordashov — maior accionista da gigante siderúrgica Severstal — é apontado como próximo do Presidente russo, Vladimir Putin, tendo acumulado uma fortuna estimada em cerca de 30 mil milhões de dólares.

O episódio ocorre num contexto de bloqueios navais cruzados no Estreito de Ormuz. O Irão restringiu a passagem de petroleiros estrangeiros como forma de pressão económica sobre os Estados Unidos e aliados, enquanto Washington respondeu com medidas para limitar o trânsito de navios iranianos e travar receitas petrolíferas de Teerão.

A travessia do Nord, com aval de ambos os lados, destaca-se como uma exceção num cenário marcado por forte tensão militar e disputas pelo controlo das rotas energéticas globais.

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