O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um ataque directo ao Papa Papa Leão XIV, acusando-o de ser “demasiado liberal” e “fraco no combate ao crime”, numa longa publicação nas redes sociais divulgada no domingo à noite.
A reacção surge depois de vários apelos do líder da Igreja Católica à paz, incluindo críticas à guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
Leão XIV, o primeiro papa norte-americano — nascido como Robert Francis Prevost, em Chicago — tem condenado nos últimos dias a violência no Médio Oriente, a “idolatria do dinheiro” e os perigos da arrogância, classificando o conflito como uma “violência absurda e desumana”.
Na sua publicação, Trump afirmou que o Papa deveria “estar agradecido” pela sua eleição, sugerindo que a Igreja Católica o escolheu por ser norte-americano e como forma de lidar com a sua presidência. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, escreveu Trump.
O chefe de Estado norte-americano criticou ainda o pontífice por alegadamente ser “terrível em política externa” e acusou-o de alinhar com a “esquerda radical”. Num tom habitual das suas intervenções, Trump aconselhou o Papa a “concentrar-se em ser um grande Papa, não um político”.
Questionado por jornalistas, o Presidente reforçou as críticas, afirmando que Leão XIV “não está a fazer um bom trabalho” e insinuando que o líder religioso “gosta de crime”.
As declarações de Trump surgem num contexto de crescente tensão internacional, após o agravamento do conflito com o Irão. O Papa tem vindo a intensificar as críticas à guerra, rejeitando também o uso de argumentos religiosos para justificar acções militares.
Em Março, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, apelou à oração pela vitória militar “em nome de Jesus Cristo”. Pouco depois, Leão XIV advertiu que Jesus “não escuta as orações de quem faz a guerra”.
Já durante a Páscoa, o Papa voltou a defender a paz, apelando ao abandono de “todo o desejo de conflito, dominação e poder” perante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro.
As tensões escalaram ainda mais quando Trump ameaçou destruir infraestruturas iranianas caso Teerão não cedesse em negociações sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas petrolíferas do mundo. O Papa classificou essas ameaças como “totalmente inaceitáveis” e contrárias ao direito internacional.
O ataque de Trump ao líder da Igreja Católica gerou críticas entre figuras religiosas nos Estados Unidos. O arcebispo Paul S. Coakley manifestou-se “consternado” com as declarações, sublinhando que o Papa “não é um rival político, mas o Vigário de Cristo”.
O episódio evidencia um confronto raro entre duas figuras norte-americanas com enorme influência global: de um lado, um Papa que insiste na mediação e no apelo à paz; do outro, um Presidente norte-americano que responde com retórica agressiva e escalada verbal.