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Etu Energias trava venda de participações no Bloco 14 e reforça posição no offshore 

A empresa privada angolana Etu Energias colocou-se no centro de uma das mais relevantes operações recentes do sector petrolífero ao exercer o direito de preferência na venda de duas licenças offshore maduras no Bloco 14, interrompendo uma transacção inicialmente considerada linear.

A operação envolvia a alienação de participações detidas pela gigante californiana Chevron e pela joint venture BP-ENI. Apesar de o negócio já ter sido aprovado pelas autoridades angolanas e de o financiamento estar assegurado por um consórcio liderado pelo African Export-Import Bank (Afreximbank) — que integra também a Shell Western Supply and Trading Ltd, o Banco Angolano de Investimento (BAI) e o Banco de Fomento Angola (BFA) — a decisão da Etu Energias alterou o rumo do processo.

O Bloco 14, situado a cerca de 100 quilómetros ao largo de Cabinda e com uma área de aproximadamente 4.094 quilómetros quadrados, está em produção desde 1999, mantendo níveis significativos de extracção de petróleo bruto médio-ligeiro. A sua relevância estratégica para o offshore angolano é inequívoca.

Actualmente, as empresas participantes Bloco 14 são: Cabinda Gulf Oil Company Limited (Chevron) — 31%; Sonangol Pesquisa e Produção, S.A. — 20%; Azule Energy Angola B.V. — 20% (subsidiária da Etu Energias, através da Angola Block 14 B.V.); Etu Energias / Angola Block 14 B.V. — 20%; Galp Energia Overseas Block 14 B.V. — 9%.

Ao exercer o direito de preferência, a Etu Energias reafirma a sua ambição de consolidar posição nos activos offshore e reforçar o peso de operadores privados angolanos num sector historicamente dominado por multinacionais.

Anteriormente conhecida como Somoil, a Etu Energias é hoje a maior empresa privada 100% angolana de petróleo e gás. Opera ativos onshore FS, FST, CON-1 e CON-6, bem como o Bloco 2/05 offshore, na Bacia do Baixo Congo. Detém ainda participações nos Blocos 3/05, 3/05-A, 4/05, 14/14K e 17/06, numa estratégia de diversificação e consolidação do portefólio.

Num contexto de maturidade de vários campos e de necessidade de otimização de ativos, a movimentação da Etu Energias sinaliza uma maior assertividade empresarial nacional no upstream angolano, podendo representar um passo relevante na afirmação de operadores locais na indústria petrolífera.

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