O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta sexta-feira, 30 de Janeiro, a sua intenção de nomear Kevin Warsh como o novo presidente da Reserva Federal (Fed), a instituição responsável pela política monetária norte-americana, substituindo Jerome Powell quando o seu mandato terminar em Maio de 2026.
A nomeação deverá agora ser submetida à confirmação pelo Senado dos EUA.
Publicada na rede social oficial do presidente, a decisão de Trump põe fim a meses de especulação sobre quem lideraria o banco central norte-americano, num momento em que a relação entre a Casa Branca e a Fed tem sido marcada por tensões em torno da política de taxas de juro.
“Conheço o Kevin há muito tempo e não tenho qualquer dúvida de que ficará para a história como um dos grandes presidentes da Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump na sua mensagem nas redes sociais.
Quem é Kevin Warsh
Kevin Maxwell Warsh, de 55 anos, é ex-governador da Federal Reserve, tendo servido no Conselho de Governadores da Fed entre 2006 e 2011 — período que incluiu a resposta à crise financeira global.
Warsh começou a sua carreira como advogado e rapidamente se tornou um destaque no mundo financeiro e da política económica. Ao longo da sua carreira, teve funções de ligação da Fed a Wall Street e às economias emergentes, atuando como representante da instituição junto do G20 e como emissário para mercados desenvolvidos e emergentes.
Após deixar o banco central, Warsh passou a desempenhar funções académicas e consultivas: é investigador no Instituto Hoover da Universidade de Stanford e lecciona na Stanford Graduate School of Business. Também integra os conselhos de grandes empresas como Coupang e UPS, além de participar em fóruns económicos internacionais.
Antes de ser escolhido para a Fed, Warsh esteve na lista de possíveis candidatos do presidente Trump desde 2024 e 2025, tendo sido considerado para cargos como secretário do Tesouro e outras funções económicas de destaque na administração.
Perfil e posicionamento económico
Warsh é visto tradicionalmente como um economista de perfil mais “hawkish” — termo usado pelos mercados para descrever quem tende a favorecer políticas monetárias mais restritivas, com ênfase no controle da inflação através de taxas de juro mais elevadas — embora tenha também escrito recentemente argumentos em favor de cortes nas taxas em determinadas circunstâncias.
A nomeação de um ex-governador com profunda experiência na Fed e ligações a Wall Street é interpretada pelos analistas como uma tentativa de trazer estabilidade e conhecimento técnico ao banco central, ao mesmo tempo que pode aproximar a Fed das prioridades económicas da administração Trump, notadamente em matérias de crescimento económico e mercados financeiros.
Reacções e próximos passos
A notícia foi recebida com interesse pelos mercados financeiros, que reagiram a movimentos de preços de activos nos minutos e horas seguintes à divulgação. A escolha de Warsh está a ser vista como um sinal de menor incerteza sobre a futura política monetária dos EUA, ainda que surjam vozes que sublinham a importância de preservar a independência da Fed face a pressões políticas.
Nos próximos meses, o Senado norte-americano terá de realizar audiências para confirmar oficialmente a nomeação, um processo que poderá incluir debates sobre as prioridades de política monetária e a autonomia do banco central.
Caso seja confirmado, Warsh assumirá uma das posições mais influentes nos Estados Unidos e no mundo financeiro, com impacto directo nas decisões sobre taxas de juro, inflação e estabilidade económica global.