Mercado & Finanças

Dívida pública deverá manter trajectória sustentável até 2028 

O secretário de Estado das Finanças e do Tesouro, Ottoniel dos Santos, traçou um balanço da evolução recente do endividamento público, sublinhando os progressos alcançados nos últimos anos. O rácio da dívida pública passou de 69% do PIB, com uma forte dependência de dívida garantida com petróleo, em 2020, para 49% em Setembro de 2025. 

O Ministério das Finanças anunciou que a estratégia de endividamento de Angola para o período 2026–2028 tem como objectivo manter a dívida pública numa trajectória sustentável, depois de o rácio da dívida em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) se ter situado em cerca de 49% em Setembro de 2025.

A informação foi avançada esta terça-feira, em Luanda, pelo diretor-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública, Dorivaldo Teixeira, durante a apresentação do plano de endividamento do Executivo. Segundo o responsável, a estratégia aposta sobretudo na captação de financiamento interno e numa gestão mais activa da dívida, com vista à redução dos riscos financeiros.

Dorivaldo Teixeira sublinhou que 2026 será um ano particularmente exigente, uma vez que Angola terá de fazer face a cerca de 13 mil milhões de dólares em amortizações da dívida. O objectivo do Executivo passa por evitar, no futuro, níveis de serviço da dívida excessivamente elevados, reforçando a previsibilidade e a sustentabilidade das contas públicas.

Entre as principais linhas de acção do plano constam a gestão proactiva de passivos, a priorização de financiamento concessional, a diversificação da base de investidores no mercado doméstico, o recurso a financiamento de longo prazo e a mitigação da concentração da dívida. O responsável destacou ainda a importância da gestão cambial e da maturidade da dívida para reduzir riscos e estimular o desenvolvimento de um mercado secundário de títulos públicos.

De acordo com Dorivaldo Teixeira, a estabilidade cambial e o comportamento das taxas de juro têm despertado o interesse de investidores estrangeiros não residentes, criando oportunidades para dinamizar o mercado interno de dívida pública.

Na abertura da sessão, o secretário de Estado das Finanças e do Tesouro, Ottoniel dos Santos, traçou um balanço da evolução recente do endividamento público, sublinhando os progressos alcançados nos últimos anos. Recordou que, em 2020, o rácio da dívida pública rondava os 69% do PIB, com uma forte dependência de dívida garantida com petróleo, estimada em cerca de 16,3 mil milhões de dólares.

Atualmente, segundo o governante, o país opera num contexto mais favorável, com a dívida colateralizada com petróleo reduzida para aproximadamente 7,7 mil milhões de dólares e uma menor exposição ao risco cambial no mercado doméstico.

Ottoniel dos Santos considerou que estes resultados reflectem maior rigor técnico e disciplina orçamental, alertando, ainda assim, para os desafios colocados pelo elevado serviço da dívida previsto para 2026.

Relacionadas

Suspeitos de corrupção na Segurança Social moçambicana desviaram cerca de

O Ministério Público de Moçambique anunciou que os detidos por

Governo cria linha de financiamento de 30 milhões de dólares

O Governo lançou uma linha de financiamento de cerca de

Wilson Donge lança livro sobre o IVA e destaca desafios

O especialista em Direito Fiscal Wilson Donge lançou, recentemente, a