Mercado & Finanças

Ouro ultrapassa os cinco mil dólares pela primeira vez impulsionado por incerteza global

O preço do ouro ultrapassou, pela primeira vez na história, a fasquia dos cinco mil dólares por onça, beneficiando do seu estatuto de valor refúgio num contexto marcado por fortes incertezas geopolíticas, comerciais e monetárias associadas à presidência de Donald Trump nos Estados Unidos.

Impulsionado sobretudo pela desvalorização do dólar, o metal precioso tem registado uma trajectória ascendente consistente ao longo dos últimos dois anos. Em Janeiro de 2024, uma onça de ouro (31,1 gramas) era negociada por pouco mais de dois mil dólares.

A recente subida foi acelerada pelas tensões geopolíticas em torno da Gronelândia, depois de o Presidente norte-americano ter manifestado a intenção de anexar o território, ameaçando aliados europeus com a imposição de tarifas em caso de oposição. Nem a relativa acalmia registada esta semana no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, onde Donald Trump recuou temporariamente nas ameaças de novos direitos aduaneiros, travou a valorização do ouro.

Os mercados continuam particularmente sensíveis à evolução de vários focos de instabilidade internacional, nomeadamente na Ucrânia, na Faixa de Gaza e no Irão. A estes factores junta-se a imprevisibilidade da Administração norte-americana, que tem afastado os investidores do dólar e das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos, tradicionalmente considerados activos de refúgio concorrentes do ouro.

Segundo Dan Coatsworth, analista da empresa de consultoria AJ Bell, os investidores estão “relutantes em abandonar” o metal precioso, receando que “Donald Trump acorde com uma nova ideia controversa” capaz de gerar turbulência nos mercados.

As críticas recorrentes do Presidente dos Estados Unidos à Reserva Federal (Fed) e ao seu presidente, Jerome Powell, para que sejam reduzidas as taxas de juro, reforçam esse clima de incerteza. Stephen Innes, parceiro da SPI Asset Management, alerta para o receio de uma “Fed sob influência política”, preocupação já assumida publicamente pelo próprio Jerome Powell, que denunciou tentativas de intimidação por parte da Casa Branca.

Ainda assim, para Neil Wilson, analista do banco de investimento Saxo Markets, há um factor estrutural ainda mais determinante a sustentar a valorização do ouro: a desvalorização generalizada das moedas e o aumento do endividamento dos Estados, que alimentam uma procura crescente por “activos tangíveis” capazes de preservar valor no longo prazo.

 

Neste contexto, os investidores procuram proteger o património, reforçando posições em ativos reais, como o ouro, considerados mais resistentes à erosão monetária.

 

A valorização do ouro tem sido acompanhada por outros metais preciosos. A prata mais do que duplicou de valor desde outubro de 2025 e ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 100 dólares por onça na sexta-feira, impulsionada tanto pela procura industrial nos setores solar e eletrónico como pela dinâmica especulativa dos mercados.

 

No domingo à noite, a prata atingiu igualmente um máximo histórico, ao subir 1,8%, para 104,83 dólares por onça. Segundo David Morrison, analista da corretora Trade Nation, a escalada dos preços ocorre num ambiente de euforia especulativa, alimentado pelo “medo de perder uma oportunidade” (FOMO) e por rumores de escassez de oferta.

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