Internacional

Seguro e Ventura disputam segunda volta das presidenciais em Portugal com reconfiguração política

António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, depois de uma primeira volta marcada pelo colapso de Luís Marques Mendes, o candidato apoiado pela AD, que sustenta o Governo, e pela afirmação expressiva da direita radical.

Seguro ficou em primeiro lugar, enquanto Ventura consolidou o segundo, numa noite eleitoral também assinalada por uma participação acima da média em eleições presidenciais.

Com 31% dos votos, António José Seguro foi o candidato mais votado, garantindo a passagem à segunda volta e assumindo-se como o principal polo de agregação do espaço moderado. Já André Ventura ultrapassou a barreira de um milhão de votos, equivalente a 23%, tal como o partido que lidera, o Chega, nas últimas eleições legislativas, em Maio de 2025, assegurando o segundo lugar, com resultados particularmente fortes em várias regiões do país, incluindo uma vitória na Madeira.

Reconfiguração do mapa político

Na corrida pelo terceiro lugar, João Cotrim de Figueiredo obteve entre 16%, próximo de uma milhão de votos, confirmando a existência de um eleitorado liberal consistente, ainda que insuficiente para disputar a liderança presidencial.

Henrique Gouveia e Melo posicionou-se num patamar intermédio, com 12%, tendo registado desempenhos mais positivos em distritos como Coimbra e Setúbal, mas ficando aquém nas regiões autónomas.

O resultado mais penalizador da noite foi o de Luís Marques Mendes, que ficou claramente abaixo das expectativas, com 11% dos votos, num desfecho lido como uma derrota pessoal e política, com impacto direto no Governo que o apoiou.

A abstenção foi mais baixa relativamente às eleições presidenciais de anteriores que reelegeram Marcelo Rebelo de Sousa, é mesmo a mais baixa em eleições presidenciais desde 2006, ficou nos 47%, sinalizando uma mobilização significativa do eleitorado.

Leituras políticas da noite

No campo da esquerda, dirigentes socialistas classificaram António José Seguro como o “vencedor da noite” e apelaram desde já a uma mobilização para a segunda volta, com o objectivo de travar a radicalização da direita.

À direita, analistas e dirigentes reconheceram uma profunda reconfiguração do espaço político, com a ascensão de André Ventura e o mau resultado de Marques Mendes a abrirem um debate sobre liderança, estratégia e identidade política.

Na reacção aos resultados, António José Seguro assumiu um discurso de responsabilidade institucional, sublinhando a necessidade de uma convergência suprapartidária na segunda volta. André Ventura apresentou-se como o principal opositor ao “sistema”, capitalizando o volume de votos e as vitórias regionais como prova de uma força com expressão nacional. O candidato foi o mais votado entre os portugueses residentes em Angola, 42%, Seguro ficou em segundo lugar com 23%, Cotrim de Figueiredo ficou em terceiro com 18%.

A segunda volta das eleições presidenciais em Portugal promete agora uma disputa polarizada, com implicações que extravasam a eleição presidencial e podem marcar o futuro do sistema político português.

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