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Crédito à economia real concentra-se em Luanda onde estão 80% das empresas e 30% da população

O crédito à economia real angolana registou um crescimento em 2025, mas manteve-se fortemente concentrado na província de Luanda e nas grandes empresas, revelou o Banco Nacional de Angola (BNA).

De acordo com os dados divulgados, 51,44% do crédito foi absorvido por Luanda e 54% teve como destino grandes empresas, enquanto 17% das operações se encontram em situação de incumprimento.

De acordo com o governador do BNA, Tiago Dias, o crédito à economia real cresceu 22,6% face a 2024, correspondendo a 1,36 bilião de kwanzas. Apesar de considerar os dados “encorajadores”, o responsável salientou que o crescimento foi inferior ao registado no ano anterior, quando se situou em cerca de 30%.

No âmbito da apresentação dos dados, o director do Gabinete de Acompanhamento ao Crédito do BNA, Veloso Pedro, revelou que, das 1.110 operações desembolsadas ao abrigo do Aviso n.º 10/2024 — que regula as condições de acesso ao crédito para o sector real da economia — 194 estão actualmente em incumprimento, representando 17% do total.

Veloso Pedro destacou ainda que, em 2025, o Aviso 10 enquadrou a totalidade do crédito concedido à economia real, sublinhando a importância deste instrumento para o financiamento da actividade económica no país.

Sobre a concentração do crédito em Luanda e nas grandes empresas, Tiago Dias considerou tratar-se de uma situação “natural”, tendo em conta que cerca de 80% das empresas e aproximadamente 30% da população angolana se encontram na capital. Ainda assim, defendeu a necessidade de promover uma maior distribuição do crédito pelas restantes províncias, atribuindo às associações empresariais um papel central no apoio e aconselhamento aos empresários.

Os dados apresentados indicam que, apesar de Luanda continuar a liderar a absorção do crédito, a sua quota registou uma redução face a anos anteriores, em que chegou a atingir 70%. Em contrapartida, a região leste do país continua praticamente excluída do acesso ao crédito, com excepção das províncias da Lunda Norte e Lunda Sul.

Em reacção aos dados, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, Vicente Soares, afirmou que o Aviso n.º 10/2024 veio facilitar significativamente o acesso ao crédito, que anteriormente era “bastante difícil” para os empresários. “Sem o Aviso 10, dificilmente os empresários teriam acesso ao crédito”, afirmou, considerando a medida uma iniciativa positiva do banco central.

Vicente Soares reconheceu, contudo, que as micro, pequenas e médias empresas continuam a enfrentar dificuldades no cumprimento dos critérios de acesso ao financiamento, o que explica a maior concentração do crédito nas grandes empresas. Defendeu, por isso, a definição de percentagens específicas para garantir o acesso desta franja empresarial ao crédito, uma responsabilidade que atribui às associações empresariais e aos próprios empresários.

Para o responsável, o sistema financeiro deve assumir um papel activo na implementação do Aviso 10, sublinhando que a medida não visa apenas a regulação, mas também a criação de condições para acelerar o processo de diversificação da economia angolana.

Vicente Soares alertou ainda para a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso da aplicação da instrução do BNA, de forma a assegurar que as micro, pequenas e médias empresas — que representam a maioria do tecido empresarial — beneficiem efectivamente do financiamento.

Relativamente à concentração empresarial em Luanda, defendeu que as empresas localizadas nas províncias devem ser estimuladas, de modo a evitar uma migração crescente para a capital em busca de acesso ao crédito. “Se o crédito está em Luanda, as empresas das províncias acabam por migrar para lá”, advertiu, sublinhando que esta responsabilidade não é exclusiva do BNA, mas de todo o sistema financeiro, dos ministérios sectoriais e do sector privado.

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