A produção de pitaias-vermelhas em Angola está a afirmar-se como um novo vector de exportação agrícola para a Europa, no âmbito de uma parceria entre a Fazenda Girassol, de capitais angolanos, e o grupo português O Melro.
O projecto, que visa abastecer o mercado português ao longo de todo o ano, deverá crescer de forma significativa nos próximos anos, posicionando Angola como fornecedor relevante desta fruta exótica considerada “premium”.
De acordo com responsáveis envolvidos na parceria, a capacidade produtiva instalada em Angola permite um aumento substancial das exportações. A colaboração teve início há dois anos, com o envio de cerca de 200 toneladas de pitaias para Portugal, volume que foi totalmente escoado. Em 2025, as exportações aumentaram para cerca de mil toneladas, com perspectivas de crescimento sustentado.
A mais-valia do produto angolano reside na variedade de pitaia-vermelha produzida no país, reconhecida pelo sabor mais intenso, maior suculência e benefícios nutricionais superiores, nomeadamente ao nível dos antioxidantes. A fruta é produzida em modo 100% biológico, com certificação europeia, o que reforça a sua competitividade nos mercados externos.
Produção com forte impacto económico e social
A produção está concentrada na província do Nzeto, no Norte de Angola, onde a Fazenda Girassol dispõe actualmente de 50 hectares dedicados à cultura da pitaia, com planos de expansão para 150 hectares no curto prazo e mais 100 hectares já preparados para futura plantação. A fazenda integra um perímetro agrícola de cerca de 10 mil hectares, com elevado potencial de crescimento.
Segundo o administrador da Fazenda Girassol, João Amaral, a capacidade de produção de pitaias em Angola “é enorme” e pode mesmo triplicar, dependendo da aceitação do produto nos mercados europeus. “A natureza em África tem muita força, e a variedade de pitaia-vermelha que se produz em Angola tem mais sabor e um forte impacto visual, o que lhe confere grande potencial, sobretudo na restauração”, sublinha.
O projecto tem também uma forte dimensão social. A Fazenda Girassol emprega mais de 1.500 trabalhadores, muitos dos quais jovens, contribuindo para a criação de emprego no sector agrícola e para a diversificação da economia angolana. “As pessoas que compram pitaias de Angola acabam por fazer também uma acção social”, destaca João Amaral.
Portugal como porta de entrada para a Europa
No âmbito da parceria, Portugal funciona como plataforma logística e comercial para a distribuição das pitaias angolanas no mercado europeu. A empresa portuguesa O Melro, sediada no Bombarral, já iniciou exportações para Espanha e França e pretende alargar a distribuição a outros países da União Europeia.
O crescimento do consumo de fruta em Portugal — um dos países com maior consumo per capita na União Europeia — é visto como um factor favorável à expansão do projecto. Em média, cada português consome mais de 400 gramas de fruta por dia, segundo dados do Eurostat e da FAO, criando um mercado receptivo a novos produtos de origem tropical.
Para os promotores do projecto, a parceria demonstra o potencial de Angola enquanto fornecedor agrícola competitivo, capaz de responder às exigências de qualidade, certificação e volume dos mercados internacionais, reforçando a estratégia de diversificação económica e de aumento das exportações não petrolíferas.