Os preços do petróleo seguem esta terça-feira sem grandes oscilações, depois de terem registado uma valorização superior a 2% na sessão anterior, num contexto marcado pela incerteza geopolítica e pela avaliação, por parte dos investidores, da viabilidade das negociações para a paz na Ucrânia.
Pelas primeiras horas de negociação, o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, recua 0,02%, para 58,06 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para a Angola, cede igualmente 0,02%, para 61,93 dólares por barril. O contrato do Brent com vencimento em Fevereiro termina esta terça-feira.
O mercado reage às notícias relacionadas com um alegado ataque à residência de férias do Presidente russo, Vladimir Putin, um episódio que voltou a lançar dúvidas sobre a sustentabilidade do processo negocial entre Moscovo e Kiev. “Os mercados começam a perceber que será muito difícil chegar a um acordo”, afirmou Ed Meir, analista da Marex, à Reuters.
A Ucrânia já rejeitou qualquer envolvimento no alegado ataque, classificando as acusações como infundadas e destinadas a minar as conversações para um cessar-fogo definitivo. As alegações surgem um dia depois de Volodymyr Zelensky e Donald Trump se terem reunido em Mar-a-Lago, onde afirmaram estar “90% próximos” de um entendimento.
Apesar disso, o Presidente dos Estados Unidos, que também manteve uma conversa telefónica com Vladimir Putin, disse estar indignado com os detalhes do incidente. Uma eventual escalada das tensões poderá atrasar um acordo de paz e prolongar as sanções ao petróleo russo, cenário que tende a pressionar os preços do crude no curto prazo.
Além do conflito na Ucrânia, os investidores continuam atentos aos desenvolvimentos no Médio Oriente e na Venezuela. Donald Trump reiterou que os Estados Unidos poderão lançar uma nova ofensiva contra o Irão caso Teerão avance com os seus planos nucleares ou com a reconstrução do seu arsenal de mísseis balísticos. Numa reunião recente com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o líder norte-americano voltou também a defender o desarmamento do Hamas.
No que toca à Venezuela, Trump afirmou que os EUA atacaram um cais no país, alegadamente utilizado para o carregamento de droga. Caso se confirme, tratar-se-á do primeiro ataque norte-americano em solo venezuelano, depois de Washington ter antecipado operações no terreno.
“Houve uma grande explosão na área do cais, onde eles carregam os barcos com drogas. Nós atingimos todos os barcos e agora estamos a atingir a área”, afirmou Trump, citado pela Associated Press, durante uma conferência de imprensa em Mar-a-Lago, na Florida.