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Morreu Brigitte Bardot, protagonista de E Deus Criou a Mulher e um ícone da cultura do século XX

A actriz que desencadeou uma revolução com a sua interpretação em E Deus Criou a Mulher morreu hoje, 28 de Dezembro, aos 91 anos. Participou em 56 filmes antes de pôr termo à carreira em 1973 e dedicar a sua vida à defesa dos direitos dos animais.

E Deus criou Bardot… O terramoto deu-se no final de Novembro de 1956, quando o filme E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim, estreou nas salas de cinema. De repente, a França — e, pouco depois, o resto do mundo — só tinha olhos para Brigitte Bardot. «Um corpo selvagem, animal, livre irrompe no ecrã», escreveu o crítico de cinema francês Jean Douchet. «Ele mina e revoluciona os costumes sociais em França e no mundo.» A revolução Bardot acabava de começar; daria origem a um verdadeiro mito.

Bardot estava longe de ser uma estrela naquela época. Já tinha participado em cerca de quinze filmes, sobretudo em papéis secundários, mas era apenas uma jovem estrela sexy, destinada a interpretar papéis de rapariga de boa família ou de loira ingénua e algo tola.

A sua imagem começava a afirmar-se, mas ainda estava longe do mito. Para compreender o fenómeno Bardot, é preciso recuar ao ponto de partida, por volta do meio-dia de 28 de Setembro de 1934, no 15.º arrondissement de Paris. “BB” nasceu na casa dos pais, católicos conservadores, Louis, o pai, e Anne-Marie, de solteira Mucel, a mãe, decidiram dar-lhe um nome alemão: Brigitte, a deusa do fogo, escreve o Le Monde.

Brigitte Bardot começou por estudar ballet e trabalhou como modelo ainda adolescente, chegando à capa da revista Elle aos 15 anos. Inicia a carreira cinematográfica em 1952, mas é em 1956, com E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim, então seu marido, que ganha o protagonismo que não voltou a perder, até se retirar. O filme transformou-a num símbolo sexual global e numa imagem de mulher livre, sensual e independente, num momento de profundas mudanças culturais no Ocidente.

Durante as décadas de 1950 e 1960, Bardot foi uma presença central no cinema europeu e internacional, participando em filmes marcantes como A Mulher e o Pelele, de Julien Duvivier, O Desprezo, de Jean-Luc Godard, Viva Maria!, de Louis Malle, ou Le Testament d’Orphée, de Jean Cocteau. Trabalhou também nos Estados Unidos — ainda numa época em que as atrizes europeias eram pouco valorizadas em Hollywood —, contracenando com nomes como Kirk Douglas e James Stewart. Apesar do enorme sucesso comercial, a crítica nem sempre acompanhou o entusiasmo do público.

Para além do cinema, Bardot tornou-se um ícone duradouro da moda e da estética feminina. Escandalizou Cannes ao posar de biquíni no início dos anos 1950 e popularizou um tipo de decote que deixou os ombros a descoberto e que acabaria por receber o seu nome — o “decote Bardot”. A sua imagem, associada a lenços na cabeça, alpargatas e um estilo despojado, continua a influenciar a moda até hoje

Em 1973, anunciou inesperadamente a retirada definitiva do cinema. A partir daí, afastou-se da vida pública e dedicou-se quase exclusivamente à defesa dos direitos dos animais, criando a fundação que viria a levar o seu nome. Viveu os últimos anos na sua residência de La Madrague, em Saint-Tropez, rodeada de cães, gatos e outras aves, como conta o El Pais.

Para a história fica o mito que atravessou o cinema, a moda e a política, um ícone na história cultural europeia do século XX.

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