José António Kast, advogado de 59 anos e líder do ultraconservador Partido Republicano, venceu as presidenciais chilenas de 2025 com cerca de 58% dos votos, tornando-se o presidente mais à direita desde o fim da ditadura de Pinochet e prometendo uma agenda dura em imigração, segurança e costumes.
José António Kast, filho de imigrantes alemães e figura central da direita radical chilena, tornou-se o novo presidente do Chile ao derrotar a candidata comunista Jeannette Jara, num contexto de forte inquietação social com a criminalidade e a imigração irregular.
Nascido em 1966, em Santiago, o advogado construiu a sua carreira política como deputado durante vários mandatos antes de fundar o Partido Republicano, formação situada na extrema-direita do espectro político.
Descrito por analistas como o presidente mais conservador desde o regresso da democracia, Kastfaz referências frequentes ao legado de Augusto Pinochet e elogia o papel da ditadura na restauração da “ordem” e na abertura económica do país. Entre as suas principais bandeiras estão o endurecimento da política migratória, com propostas de expulsão de centenas de milhares de estrangeiros em situação irregular, e um discurso de “mão dura” contra o crime, o narcotráfico, o terrorismo e a chamada “guerrilla urbana”.
No plano social, o novo chefe de Estado assume posições abertamente ultraconservadoras: defende a vida “desde a concepção até à morte
natural”, rejeita o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por casais homossexuais, e promove a família tradicional, baseada na união entre homem e mulher, como pilar da sociedade. Critica também o que chama de “ideologia de género” e opõe-se a reformas progressistas em matéria de direitos LGBT e legislação antidiscriminação, como a Lei Zamudio.
A sua plataforma económica assenta numa versão liberal de “economia social de mercado”, com defesa de baixos impostos, desregulação, Estado subsidiário e combate àquilo que apresenta como populismo e corrupção. Entre as medidas mais polémicas figuram a proposta de anistia para militares idosos condenados por crimes da ditadura e o alargamento do porte de armas para civis, em nome da autodefesa. No plano externo, Kast admira o legado económico do regime de Pinochet, elogia líderes como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Nayib Bukele e Javier Milei e propõe estreitar laços com os Estados Unidos, ao mesmo tempo que defende o rompimento com Cuba e Venezuela, rejeita o consenso climático sobre o impacto humano nas alterações do clima e critica o multilateralismo em favor da soberania nacional.
A biografia do presidente eleito é ainda marcada pela controvérsia em torno do seu pai, Michael Kast, tenente do exército alemão na Segunda Guerra Mundial que se estabeleceu no Chile em 1950 e construiu um próspero negócio de enchidos e restauração. Documentos de arquivos alemães apontam para a sua filiação no partido nazi em 1942, em contraste com a narrativa do próprio José Antonio Kast, que o descreve como um jovem apenas obrigado a servir, alimentando um debate permanente sobre as raízes ideológicas do novo líder da direita chilena.