No seu primeiro discurso após tomar posse como Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida afirmou que o mundo vive “uma aldeia global em reconfiguração acelerada”, sustentando que a ordem internacional das últimas sete décadas “já não existe”.
O novo líder do parlamento, terceira figura do Estado, alertou que, se as actuais tendências se mantiverem, as disputas hegemónicas entre grandes potências poderão intensificar-se, criando “novas pontes e novos muros” e aprofundando as assimetrias globais.
“A colonização que outrora se fazia com presença física pode assumir novas feições, sendo feita a quilómetros de distância”, afirmou, sublinhando que fenómenos como o desemprego e a emigração estão directamente ligados às dinâmicas globais contemporâneas.
“Estar atentos a esses fenómenos é essencial para que não tenhamos de travar, em breve, novas lutas contra novas formas de colonização, mesmo que outros nomes lhes sejam atribuídos”, reforçou.
Adão de Almeida defendeu ainda que África e o Sul Global devem ter “um lugar digno à mesa” na reorganização da ordem mundial: “Não nos podemos cansar de erguer as nossas vozes a favor de uma reconfiguração que reserve espaço digno para o Sul Global e assegure a defesa permanente e intransigente dos interesses do continente africano”, declarou, citado pela agência Lusa.
O Presidente da Assembleia Nacional evocou igualmente o 50.º aniversário da independência de Angola, celebrado este mês, como um momento de reflexão sobre a identidade colectiva e sobre a construção de “uma nação por todos e para todos”.