Internacional

Trump, tal como Biden, está com dificuldades em controlar a inflação

O bolso dos norte-americanos queixa-se das políticas do actual Presidente Donald Trump, o que está a dar aos eleitores uma sensação de ‘déjà vu’. 

Tal como o seu antecessor, Trump tenta convencer o país com o seu plano de criar mais empregos, em especial na indústria, mas os resultados são escassos ou quase nulos. Ao mesmo tempo, e tal como fez Biden, Trump, incapaz de controlar a inflação, vai dizendo que é uma questão temporária que rapidamente será neutralizada.

“Vamos chegar a 1,5% muito em breve”, disse Trump aos jornalistas nesta segunda-feira, e acrescentou “está tudo a cair”, referindo-se aos preços ao consumidor, mas a realidade não o está a acompanhar.

Ainda assim, o Presidente norte-americano mantém o seu proverbial optimismo e assegura que o boom económico está próximo, no entanto, há sinais de que os eleitores estão com menos paciência para esse discurso, quando o tempo passa e as promessas de campanha de Trump não passam disso mesmo, de promessas de campanha.

As recentes eleições, que foram ainda as intercalares, mais ou menos a meio do mandato, foram só em alguns estados, mostraram uma forte inclinação dos eleitores para os democratas, em parte devido ao aumento do custo de vida, que Trump não tem conseguido reverter.

Trump, ‘à Trump’, diz que os resultados das pesquisas económicas que não lhe são favoráveis como falsos.

Ao mesmo tempo fala de um reembolso das tarifas de dois mil dólares para as famílias – entretanto cancelou as tarifas de uma série de bens de consumo como carne de vaca, café, bananas ou laranjas, e até de certos fertilizantes, admitindo que pode ter contribuído para o aumento generalizado dos preços –, e aumentou o prazo do financiamento imobiliário de 30 para 50 anos, de forma a reduzir o valor das prestações mensais.

Um conselheiro económico do antecessor de Trump explicou à Associated Press que também Biden tentou convencer os norte-americanos que a economia do país estava forte. “Hoje, os EUA têm a maior taxa de crescimento económico, e lideram as economias mundiais desde o início da pandemia”, disse Biden num discurso em 2023. Não convenceu ninguém, entre a população adulta só 36% levou o então presidente a sério.

Entretanto, os republicanos argumentaram que as políticas de Biden pioraram a inflação. Os democratas usam agora a mesma estratégia contra Trump.

Eis o argumento dos democratas: as tarifas de Trump estão a passar para os consumidores com o aumento do custo de vida; o cancelamento de projectos de energia limpa repercutem-se no aumento das contas da electricidade; as deportações em massa aumentam os custos da construção de casas, uma vez que o sector da construção civil depende muito de imigrantes.

Em Abril, quando Trump avançou com as tarifas, os preços ao consumidor estavam a aumentar ao ritmo de uma taxa anual de 2,3%, e essa taxa acelerou para 3% em Setembro deste ano.

Por esta altura, 67% dos adultos norte-americanos desaprovam o desempenho de Trump de acordo com os dados da AP-NORC de Novembro.

Ainda assim a Casa Branca argumenta que os cortes nos impostos sobre a renda, nova regulamentação para o investimento estrangeiros associados às tarifas vão levaram a mudanças que se traduzirão em mais fábricas e mais emprego, o que poderá aumentar a oferta de bens e serviços e reduzir os factos que impulsionaram a inflação.

A Reserva Federal reduziu as taxas de juros de referência, o que pode aumentar a oferta de dinheiro na economia e dar mais espaço ao investimento. No entanto, o banco central tomou essa medida devido ao enfraquecimento do mercado de trabalho, apesar da inflação estar acima da meta de 2%, e há a preocupação de que corte de juros desejado por Trump possam alimentar ainda mais a inflação.

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