O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, procurou, esta segunda-feira, desvalorizar os efeitos económicos da guerra com o Irão, defendendo que a economia norte-americana continua forte e que os preços da energia deverão baixar em breve.
Durante um evento na Casa Branca dedicado à Semana das Pequenas Empresas, Trump afirmou que a economia está “em plena expansão” e destacou os cortes de impostos e de regulamentação como factores decisivos para um “recorde de actividade empresarial”. A administração descreveu o momento como um exemplo da “revitalização extraordinária” da economia sob a agenda “America First”.
No entanto, o contexto internacional, marcado pelo conflito com o Irão, continua a pressionar a economia. A subida dos preços da energia tem agravado o custo de vida nos Estados Unidos, com impacto directo em famílias e empresas.
Com as negociações entre Washington e Teerão paradas, o preço do petróleo Brent — referência global — atingiu cerca de 114 dólares por barril. A escalada surge num cenário de incerteza em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
Apesar disso, Trump desvalorizou o aumento dos custos energéticos, afirmando que os preços poderiam ter subido ainda mais e garantindo que prevê uma descida “substancial” em breve.
Na prática, os consumidores continuam a sentir a pressão. O preço médio da gasolina ultrapassou os 4,45 dólares por galão a nível nacional, enquanto o gasóleo subiu para mais de 5,64 dólares, encarecendo o transporte de mercadorias e, consequentemente, os preços ao consumidor.
No mesmo evento, Trump defendeu ainda a redução do número de funcionários federais, uma política que levou à perda de centenas de milhares de empregos. O Presidente argumentou que esses trabalhadores encontraram novas oportunidades no sector privado, muitas vezes melhor remuneradas.
A poucos meses das eleições intercalares, Trump tem enfrentado dificuldades em consolidar uma mensagem económica clara. Alguns sectores da sua base criticam o foco na política externa, em detrimento de questões do quotidiano, como o custo de vida.
Ao longo do discurso, com mais de uma hora, Trump abordou vários temas, incluindo críticas ao seu antecessor, Joe Biden, comentários sobre sondagens e meios de comunicação social, e até projectos de requalificação em Washington.
Na semana passada, num outro discurso na Florida, o Presidente voltou a defender as suas políticas económicas, mas dedicou grande parte da intervenção a temas paralelos, afastando-se novamente das preocupações centrais dos eleitores, como a inflação e o poder de compra.
Trump rejeitou as críticas sobre o aumento do custo de vida, classificando-as como exageradas, e responsabilizou administrações anteriores pela actual situação económica.