O director executivo que transformou a Apple na empresa mais valiosa do mundo fez ontem a sua última apresentação como CEO na conferência anual de programadores. Em Setembro, passa o testemunho a John Ternus.
Tim Cook subiu ao palco da Worldwide DevelopersConference pela última vez como director executivo da Apple. A conferência anual de programadores, que decorre em Cupertino até sexta-feira, foi o cenário escolhido para o adeus público de um líder que esteve à frente da empresa durante quinze anos — e que sai numa posição de força, com a Apple a ser a marca mais valiosa do mundo, mas com uma questão por resolver: o atraso da empresa na corrida à inteligência artificial.
A Apple anunciou em Abril que Cook assumirá o cargo de presidente executivo do conselho de administração a partir de 1 de Setembro, passando a direcção da empresa a John Ternus, actual vice-presidente sénior de Engenharia de Hardware, que conduziu o desenvolvimento do chip M e liderou a transição da Apple para o silício próprio. Ternus tem 51 anos e é interno da empresa desde 2001.
Siri, finalmente
A conferência deste ano tem um protagonista claro: a Siri. A assistente de voz da Apple, alvo de críticas persistentes por ficar muito aquém das capacidades dos concorrentes, recebe a sua reformulação mais profunda desde a sua criação. A nova versão, integrada no Dynamic Island do iPhone, passa a funcionar como um assistente conversacional, com ligação ao modelo Gemini da Google e compatibilidade com extensões de outros modelos, incluindo o ChatGPT e os sistemas da Anthropic.
A aposta marca uma viragem estratégica: a Apple, que durante anos desenvolveu as suas capacidades de inteligência artificial de forma fechada, abre agora o seu ecossistema a parceiros externos para recuperar terreno face ao avanço do Google, da OpenAI e da Microsoft. O sistema operativo que suporta estas funcionalidades passa a chamar-se iOS 27 — um salto numérico que alinha toda a família de sistemas Apple, incluindo macOS 27, iPadOS 27, watchOS 27 e visionOS 27.
O legado de Cook
Tim Cook assumiu a direcção da Apple em Agosto de 2011, numa das transições de liderança mais escrutinadas da história empresarial, dias antes da morte de Steve Jobs. Herdou uma empresa já dominante, mas com um modelo de crescimento ainda dependente de um produto único — o iPhone. Ao longo da sua liderança, expandiu a Apple para os serviços, os wearables, os chips próprios e, mais recentemente, a realidade mista com o Vision Pro. A capitalização bolsista da empresa multiplicou-se várias vezes durante o seu mandato.
A questão da inteligência artificial foi, nos últimos dois anos, a principal sombra sobre o seu legado. A WWDC 2026 é, em parte, a resposta a essa crítica — e Cook quis que fosse ele a apresentá-la.