O barril de Brent aproximou-se dos 98 dólares esta segunda-feira, num mercado que não precisa de muito para reactivar os fantasmas do primeiro trimestre, quando o encerramento do Estreito de Ormuz empurrou os preços acima dos 120 dólares.
O barril de Brent para entrega em Agosto chegou esta segunda-feira a negociar cerca de 5% acima do fecho anterior, aproximando-se dos 98 dólares, depois de Israel e o Irão trocarem ataques directos pela primeira vez desde que o cessar-fogo de Abril entrou em vigor. A subida reflecte a sensibilidade extrema dos mercados energéticos a qualquer sinal de recaída num conflito que já provocou a maior disrupção de oferta da história do mercado petrolífero global, segundo a Agência Internacional de Energia.
A escalada foi desencadeada no domingo, quando o Irão lançou mísseis balísticos contra Israel em represália por bombardeamentos israelitas em Beirute e num complexo petroquímico no sudoeste iraniano. As autoridades israelitas confirmaram a interceptação de todos os projécteis e não reportaram vítimas — mas a ausência de baixas não acalmou os mercados, que mantêm em memória o que aconteceu quando o conflito se alastrou ao Estreito de Ormuz.
O estreito, por onde passa cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo e 20% do gás natural liquefeito, permanece efectivamente encerrado desde o início de Março, quando a intensificação do conflito reduziu o tráfego de petroleiros em cerca de 70% e a QatarEnergy declarou força maior nas exportações. O Brent tinha então ultrapassado os 120 dólares por barril. A trégua de Abril, negociada com mediação do Paquistão, trouxe algum alívio aos preços — mas a nova escalada de ontem demonstra que a recuperação está longe de ser estável.
Os analistas já tinham avisado que qualquer rupturado cessar-fogo poderia empurrar o Brent de volta para os 100 dólares. A aproximação aos 98 dólares esta manhã, com o conflito ainda em aberto, sugere que o mercado está a pressionar exactamente esse risco.