A modernização da frota com aeronaves Boeing, a obtenção de autorização europeia para voar para Lisboa com o 787-9 e um plano de expansão de rotas internacionais até 2027 são os marcos que ajudam a explicar o momento a que chega agora a companhia aérea de bandeira, que em Junho renovou os seus órgãos de gestão.
O Ministério dos Transportes anunciou, nessa altura, a tomada de posse dos órgãos de gestão da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, na sequência de uma deliberação unânime dos accionistas que actualizou a estrutura de governação da transportadora. Os membros do Conselho de Administração e da Comissão Executiva tomaram posse em Junho, num momento que marcou uma nova etapa na governação da companhia aérea de bandeira e consolidou o Programa de Transformação em curso.
À frente do Conselho de Administração manteve-se Clóvis Rosa, na qualidade de presidente (PCA). Integram ainda o Conselho, como administradores não executivos, Adiron Alberto, Mónica Cristino, Manuel Tavares, Maria Elília Leitão Luís Ricardo e Cláudia Cristina Silva Gomes Pires Pinto Palegé Jassé.
Já na Comissão Executiva, a principal novidade foi a chegada de Jaime Miguel Ferreira Carneiro à presidência. Ao seu lado ficaram Joelson da Silva de Sá e Vasconcelos, responsável pela área Comercial, e Sandro da Cunha Pereira Africano, responsável pela área Financeira — quadro proveniente do sector bancário, onde exercia funções de destaque no Banco BNI. Mantiveram-se em funções Iuri Guerra Neto, responsável pela área de Operações, Misayély Celestino Isaac Abias, responsável pela área de Manutenção e Engenharia, e Neide do Rosário Pinto Teixeira, responsável pelas áreas Jurídica e de Recursos Humanos.
Na cerimónia de tomada de posse, o secretário de Estado para os Sectores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, Adilson Catala, destacou o papel central da transportadora na economia e na coesão do país. “A TAAG desempenha um papel estratégico na mobilidade, na integração do território nacional e na ligação de Angola aos mercados internacionais. Esta nova etapa deve traduzir-se numa maior capacidade de execução, com foco na eficiência operacional, na sustentabilidade financeira e na qualidade do serviço prestado aos cidadãos e às empresas”, afirmou.
Clóvis Rosa sublinhou, também na ocasião, que a actualização da estrutura de governação criava melhores condições para acelerar as prioridades estratégicas da companhia. “Estamos a consolidar um processo de transformação assente na disciplina de gestão, na eficiência operacional e na melhoria contínua da experiência do cliente. Esta nova configuração dos órgãos sociais reforça a capacidade da TAAG para executar as prioridades estratégicas definidas para os próximos anos”, disse. Já Jaime Miguel Carneiro, novo presidente da Comissão Executiva, deixou claro o rumo que a equipa pretendia seguir. “Assumimos esta responsabilidade com sentido de missão e total compromisso com os resultados. O nosso foco estará na execução, na melhoria dos indicadores de desempenho, na criação de valor para os accionistas, clientes e colaboradores e no reforço da posição competitiva da TAAG nos mercados onde opera”, afirmou.
A renovação dos órgãos sociais inseriu-se nas medidas de reforço da governação corporativa da transportadora, numa fase marcada pela expansão da rede de rotas e pela aposta na sustentabilidade financeira e operacional da companhia aérea nacional — uma fase que já vinha a ser construída nos anos anteriores, assente sobretudo na renovação da frota e na conquista de novas autorizações internacionais.
Um dos eixos centrais deste processo tem sido a modernização da frota, assente sobretudo em aeronaves Boeing. A companhia recebeu já quatro unidades do Boeing 787 Dreamliner — duas na versão 787-9 e duas na versão 787-10 —, a mais recente das quais baptizada “Deolinda Rodrigues”, em homenagem à heroína e intelectual angolana. Actualmente, a frota da TAAG conta com cerca de 33 aeronaves, incluindo Boeing 777-300ER, Boeing 737 e aviões Airbus A220, um parque que a companhia tem procurado diversificar e rejuvenescer.
Entre os avanços mais significativos está ainda a obtenção de autorização da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) para operar o Boeing 787-9 em voos para a Europa, com destaque para a rota entre Luanda e Lisboa. Esta autorização representa um reconhecimento internacional relevante da qualidade operacional e dos padrões de segurança da companhia, abrindo caminho a uma presença mais robusta da TAAG no mercado europeu.
A companhia tem ainda garantida a chegada de mais unidades do Boeing 787 Dreamliner e de vários aviões Airbus A220-300 até 2027, no âmbito de um plano de expansão que prevê a abertura de novas rotas internacionais, com destinos como a China, o Reino Unido, Acra, Abidjão, Harare, Lusaca e Durban. Este plano de crescimento surge alinhado com as próprias projecções do sector: segundo a fabricante norte-americana Boeing, a frota comercial de aviões em África deverá mais do que duplicar nas próximas duas décadas, impulsionada por uma população jovem e cada vez mais urbana — um contexto que reforça a pertinência da aposta angolana na modernização e no crescimento da sua companhia de bandeira.
Estes marcos — a renovação da frota, o reconhecimento europeu da qualidade operacional e o plano de expansão de rotas — têm sido, até aqui, os pilares mais visíveis da transformação em curso na TAAG, e é sobre eles que a equipa liderada por Miguel Carneiro, desde Junho, assume a responsabilidade de continuar a executar.