Economia

TAAG e TAP aprofundam diálogo para reforçar cooperação, em plena reta final da privatização da transportadora portuguesa

A TAAG – Linhas Aéreas de Angola e a TAP Air Portugal estão a aprofundar o diálogo com vista a estruturar uma cooperação mais sólida entre as duas companhias, abrangendo as áreas comercial, operacional, técnica e institucional. O tema esteve no centro de uma reunião realizada na passada quarta-feira, dia 9 de Setembro, em Lisboa, entre o presidente do Conselho de Administração da TAAG, Clóvis Rosa, e o presidente da Comissão Executiva da TAP, S.A., e da TAP, SGPS, Luís Rodrigues — num momento em que o processo de privatização da companhia portuguesa entra precisamente na sua fase decisiva.

Durante o encontro, os dois responsáveis identificaram áreas de interesse comum e analisaram novas oportunidades de colaboração entre as transportadoras. Segundo os comunicados divulgados pelas duas empresas, as partes reconheceram a relação histórica que já existe entre a TAAG e a TAP e discutiram formas de conferir maior consistência e formalidade a essa cooperação, através de mecanismos institucionais e operacionais que permitam desenvolver, no futuro, iniciativas concretas de interesse mútuo.

“A TAAG e a TAP têm uma relação histórica e actuam em mercados com fortes conexões entre si. Este diálogo permite-nos avaliar, de forma estruturada, onde podemos criar complementaridades que fortaleçam a nossa oferta e, sobretudo, ampliem as opções para os nossos passageiros”, afirmou Clóvis Rosa, citado no comunicado da companhia angolana.

Luanda–Lisboa no centro das atenções

A ligação aérea entre Luanda e Lisboa mereceu destaque especial na reunião, devido à sua relevância comercial e aos fortes laços económicos, empresariais, culturais e familiares que unem Angola e Portugal. Os dois responsáveis analisaram ainda o papel estratégico desta rota no reforço da conectividade entre África e Europa, bem como o potencial das redes das duas companhias para facilitar o acesso dos passageiros a outros mercados internacionais — um ponto particularmente relevante numa lógica de cooperação comercial que poderá ampliar destinos disponíveis sem exigir, necessariamente, a criação de novas ligações directas entre todos os mercados servidos pelas duas transportadoras.

O encontro serviu também para discutir a possibilidade de futuros acordos comerciais entre a TAAG e a TAP, com o objectivo de ampliar a conectividade entre as duas redes, criar sinergias operacionais e aumentar o leque de destinos ao dispor dos passageiros de ambas as companhias. Por agora, tratou-se de uma etapa de diálogo e identificação de oportunidades, não tendo sido anunciado qualquer novo acordo operacional específico entre as duas transportadoras.

Um diálogo que decorre à sombra da privatização da TAP

A aproximação entre as duas companhias surge num momento particularmente sensível para a TAP, que atravessa a fase final do processo de privatização de 44,9% do seu capital, lançado pelo Governo português para reverter a nacionalização da transportadora durante a pandemia de Covid-19. No início de Setembro, o executivo português prorrogou até 31 de Dezembro de 2026 o prazo para concluir o processo, de forma a permitir uma última ronda de negociações com os dois candidatos que já entregaram propostas vinculativas: o grupo franco-neerlandês Air France-KLM e a alemã Lufthansa.

Segundo o Governo, as propostas apresentadas em finais de Julho incluem os termos financeiros e estratégicos para a entrada dos dois grupos no capital da TAP, sendo ainda avaliados aspectos como o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção e os combustíveis sustentáveis, e o respeito pelos compromissos laborais assumidos com os trabalhadores da companhia. De acordo com notícias recentes da imprensa portuguesa, a Air France-KLM é, até ao momento, a única das duas candidatas a admitir a possibilidade de o Estado português receber acções do grupo resultante como parte do pagamento pela fatia vendida da TAP. A escolha do futuro comprador deverá ser conhecida depois da apresentação do Orçamento do Estado para 2027, estando ainda sujeita a aprovação em Conselho de Ministros e ao aval das autoridades europeias da concorrência.

É neste contexto de incerteza sobre quem irá, a prazo, ficar com uma influência determinante sobre a estratégia da TAP que a companhia portuguesa está, simultaneamente, a explorar com a TAAG novas formas de cooperação bilateral — um sinal de que a transportadora angolana pretende assegurar e reforçar, independentemente do desfecho da privatização, os laços estratégicos com um dos seus parceiros históricos na ligação entre Angola, Portugal e o resto da Europa.

A reunião entre Clóvis Rosa e Luís Rodrigues surge, assim, na continuidade do relacionamento já existente entre as duas companhias, reforçando um diálogo em curso sobre oportunidades de cooperação capazes de potenciar a complementaridade das respectivas redes e a presença de ambas no mercado internacional da aviação — independentemente de quem venha a assumir, nos próximos meses, uma posição accionista relevante na transportadora portuguesa.

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