Negócios

Sonangol revela que Galp prepara regresso ao investimento em Angola na exploração e produção

A Galp prepara-se para voltar a investir em Angola em parceria com a Sonangol, nas áreas de exploração e produção de petróleo, revelou esta quarta-feira o presidente do Conselho de Administração (PCA) da petrolífera angolana, Sebastião Gaspar Martins, durante a quarta edição da conferência Doing Business Angola, que decorreu no EPIC SANA Lisboa Hotel, na capital portuguesa.

“Ainda recentemente tivemos a visita de uma delegação da Galp que, depois de ter saído, voltou e quer investir connosco nas áreas de exploração e produção”, declarou Sebastião Gaspar Martins, que interpreta o interesse renovado da petrolífera portuguesa como um sinal de confiança nas oportunidades que Angola continua a oferecer aos investidores. “Angola continua a ser um bom local para se poder investir. Nós, a nível do nosso portefólio, temos oportunidades de investimento que, se forem do interesse de grande parte dos empresários aqui presentes, podem fazê-lo”, acrescentou.

A Galp tinha saído da produção petrolífera em Angola em 2024, ao vender à angolana Somoil, afiliada da Etu Energias, as suas participações nos blocos 14, 14-K e 32, num negócio avaliado em 830 milhões de dólares, pondo fim a uma ligação ao sector produtivo angolano que se estendia por várias décadas. Apesar dessa saída, as duas empresas mantêm uma relação histórica através da Sonangalp, a joint venture na área da distribuição de combustíveis, uma parceria que Gaspar Martins classificou como estratégica para ambas: “Com a Galp é uma empresa que é praticamente irmã”, resumiu.

O PCA da Sonangol destacou ainda outras parcerias da empresa com Portugal, nomeadamente o projectoem curso com a Mota-Engil para reactivar um estaleiro naval destinado à construção de embarcações para a indústria petrolífera. Quanto ao futuro do sector energético angolano, apontou como prioridade o reforço da capacidade nacional de refinação, defendendo que a construção de novas refinarias permitirá reduzir a dependência das importações de combustíveis, aumentar a criação de valor no país, gerar emprego e reforçar a estabilidade económica. “Só estaremos mais fortes se nos associarmos a outras empresas que possam acrescentar aquilo que já fazemos. Empresas estrangeiras ou nacionais são bem-vindas”, afirmou, sublinhando a estabilidade contratual do país e a participação da Sonangol nas 41 concessões actualmente em curso, ao lado de investidores nacionais e estrangeiros.

Sebastião Gaspar Martins fez também um balanço da transformação da Sonangol, que assinala este ano 50 anos de existência. Segundo o responsável, a reforma da empresa passou pela concentração nas áreas estratégicas e pela reorganização do portefólio: “Retirámos da Sonangol um bom número de activose concentrámo-nos em cinco unidades de negócio e uma outra para negócios não core. Hoje abrangemos toda a cadeia de valor, desde a produção à distribuição, refinação, gás, trading e shipping”, explicou, acrescentando que a Sonangol se assume hoje essencialmente como uma companhia energética, e não apenas petrolífera, apostando também nos minerais críticos como área de posicionamento estratégico de longo prazo.

Questionado sobre a entrada da Sonangol em bolsa, Gaspar Martins confirmou que o objectivo de alienar até 30% do capital se mantém, mas recusou avançar um calendário, garantindo que a operação não deverá acontecer ainda este ano: “Queremos alienar até 30% em bolsa. Será feito no momento certo. Há todo um conjunto de ineficiências, mas isso não quer dizer que não estamos a preparar-nos para ir à bolsa. Não o faremos à custa de outras pressões”, disse, referindo-se às responsabilidades que a empresa assume enquanto entidade pública, nomeadamente no apoio ao sistema de subsídios aos combustíveis. Ainda assim, mostrou-se confiante na operação: “Eu vou comprar acções quando chegar esse momento. E vou aconselhar todos a fazê-lo. Vai trazer algo de muito positivo”.

Para além da energia, o PCA da Sonangol destacou a agricultura, a logística e os minerais críticos como sectores com elevado potencial para aprofundar a cooperação económica entre Angola e Portugal. Questionado sobre o maior activo do país, apontou o capital humano, e, sobre a melhor decisão da sua carreira, respondeu ter sido “manter-me onde estou”.

 

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