Angola deve apostar no reforço da sua soberania económica através do desenvolvimento da segurança alimentar, da energia, da logística, das infraestruturas e de cadeias de valor capazes de reduzir a dependência externa, defendeu, esta semana, em Lisboa, o director financeiro do Grupo Opaia, Hugo Azevedo.
“Precisamos de ter soberania em áreas como a segurança alimentar, as cadeias de valor, a logística, a energia e as infra-estruturas. Quando surgir uma nova crise mundial, Angola não deve estar a pagar a factura, mas sim a beneficiar das oportunidades que essas crises podem criar”, afirmou Hugo Azevedo, defendendo que o país se prepare para responder aos desafios globais com maior autonomia produtiva.
Como exemplo desta estratégia, o gestor destacou o projecto Amufert, iniciativa industrial liderada pelo Grupo Opaia que pretende produzir fertilizantes a partir de recursos disponíveis em Angola, combinando gás natural e fosfato. O projecto, avaliado em cerca de dois mil milhões de dólares e integrado no Complexo Industrial de Fertilizantes do Soyo, está a avançar com a construção de uma fábrica no município do Soyo, na província do Zaire, ao mesmo tempo que o grupo prepara o arranque da exploração das suas concessões de fosfato, previsto para 2027. Segundo Hugo Azevedo, a iniciativa é já um exemplo de como a transformação local dos recursos naturais pode contribuir para a industrialização, reduzir a dependência das importações e fortalecer a segurança alimentar do país, através da produção nacional de amónia e ureia — duas matérias-primas fundamentais para a indústria dos fertilizantes e para o reforço da produtividade agrícola.
O responsável sublinhou que o investimento só foi possível graças à parceria entre o sector privado e o Estado angolano, que integra o capital do projectoatravés da Sonagás e do Fundo Soberano de Angola. “Este projecto não seria possível sem o apoio do Executivo angolano. Temos como accionistas a Sonagás e o Fundo Soberano de Angola. É uma iniciativa que alia a visão do empresário à estratégia do Executivo para a industrialização do país e para a criação de valor acrescentado na economia”, afirmou. O projecto conta ainda com um financiamento de 1,4 mil milhões de dólares do Afreximbank para a construção da fábrica.
Estas considerações decorrem da intervenção do gestor no painel “Recursos Estratégicos: Angola na Nova Geopolítica Global”, integrado na conferência Doing Business Angola 2026, promovida pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona, um evento que teve lugar na capital portuguesa.