A recondução de Miguel Maya como presidente executivo do banco português consolida um ciclo de forte valorização do BCP — e reforça simultaneamente os ganhos da Sonangol, um dos principais accionistas da instituição, numa altura em que o banco passa a distribuir até 90% dos lucros pelos investidores.
A assembleia-geral do BCP aprovou esta quinta-feira a renovação dos mandatos dos principais órgãos de gestão do banco, mantendo Miguel Maya como CEO e Nuno Amado como chairman.
A decisão surge num momento particularmente favorável para os accionistas da instituição financeira, depois de vários anos de recuperação operacional, valorização bolsista e redução do crédito malparado.
Entre os maiores beneficiários encontra-se a Sonangol, que continua a ser um dos principais accionistas do banco português e uma das mais relevantes presenças institucionais angolanas no PSI.
Com os lucros do BCP acima dos mil milhões de euros em 2025, o banco aprovou uma nova política de remuneração accionista que prevê a distribuição de 90% dos resultados, combinando dividendos e recompra de acções.
Metade do resultado líquido será distribuída directamente sob a forma de dividendos, enquanto 40% serão canalizados para programas de recompra de ações, mecanismo que tende a favorecer a valorização dos títulos em bolsa.
A reunião de accionistas aprovou igualmente uma operação de redução de capital no valor de 240 milhões de euros ligada ao programa de recompra de ações próprias.
A valorização do BCP nos últimos anos também reforçou o peso financeiro da participação angolana. Quando Miguel Maya assumiu a liderança executiva do banco, em 2018, as ações negociavam perto dos 27 cêntimos e chegaram posteriormente a cair abaixo dos sete cêntimos. Esta quinta-feira fecharam nos 0,9322 euros.
A recuperação do banco coincidiu com uma melhoria significativa dos principais indicadores financeiros. O resultado líquido passou de pouco mais de 300 milhões de euros em 2018 para mais de mil milhões em 2025, enquanto o rácio de crédito malparado caiu de 6,1% para 1,7%.
A permanência da Sonangol no capital do BCP mantém-se estratégica para Angola, numa altura em que a petrolífera estatal reduziu parte da sua exposição internacional, mas continua a preservar posições consideradas estruturantes em Portugal, sobretudo nos sectores financeiro e energético.
Além da Sonangol, o capital do BCP inclui também investidores internacionais como o grupo chinês Fosun e grandes gestoras globais de activos.