A Sonangol continua a ser o principal representante institucional angolano nas empresas cotadas do PSI, numa altura em que o peso do capital angolano em Portugal é hoje muito mais reduzido do que durante o auge da expansão financeira de Luanda na última década.
A petrolífera estatal mantém posições estratégicas sobretudo no BCP e na Galp, duas das principais cotadas portuguesas, garantindo a Angola uma presença relevante nos dividendos distribuídos anualmente pela bolsa de Lisboa.
Só este ano, a Sonangol deverá encaixar cerca de 277 milhões de euros através das participações ligadas ao BCP e à Galp, segundo estimativas feitas a partir da distribuição de dividendos anunciada pelas empresas cotadas.
No BCP, a Sonangol permanece como um dos maiores accionistas do banco, numa participação considerada estratégica tanto do ponto de vista financeiro como político. Já na Galp, a presença é indirecta, através da Amorim Energia (Amorim Energia/Esperaza Holding), e de estruturas accionistas historicamente associadas à petrolífera angolana.
A permanência da Sonangol contrasta com o recuo progressivo de outros investidores angolanos no mercado português. Entre 2008 e 2015, empresários e grupos angolanos adquiriram posições relevantes na banca, telecomunicações, energia, media e construção, transformando Portugal num dos principais destinos do investimento externo de Angola.
Hoje, a Sonangol surge praticamente como a última grande âncora institucional angolana no PSI, mantendo uma estratégia mais centrada em activos considerados estruturantes e geradores de dividendos.
O peso angolano mantém-se particularmente visível nos resultados da distribuição de lucros das cotadas portuguesas. Num ano em que as empresas da bolsa de Lisboa vão distribuir mais de 3,1 mil milhões de euros em dividendos, Angola e China concentram mais de metade do montante destinado a accionistas estrangeiros.