O Comité de Estabilidade Financeira (CEF) decidiu manter inalteradas as principais reservas de capital aplicáveis ao sector bancário, depois de concluir que o Sistema Financeiro Nacional se manteve resiliente durante o segundo trimestre de 2026, sustentado por níveis adequados de capital, liquidez e rentabilidade.
A decisão resulta da 56.ª Reunião do Comité de Estabilidade Financeira, realizada no dia 28 de Agosto, durante a qual foram avaliados os riscos e vulnerabilidades do Sistema Financeiro Nacional, bem como as medidas de política macroprudencial actualmente em vigor.
Entre as decisões tomadas, o CEF manteve a Reserva de Conservação de Capital em 2,50%, aplicável a todas as Instituições Financeiras Bancárias, e a Reserva Contracíclica de Capital em 0%.
O Comité decidiu igualmente manter a Reserva para Bancos de Importância Sistémica Doméstica, entre 1% e 2%, aplicável às instituições elegíveis, até 31 de Dezembro de 2026.
Durante a reunião, foi também aprovado o Plano de Acção do Banco Nacional de Angola para a implementação das recomendações resultantes do Programa de Avaliação do Sector Financeiro (FSAP 2025), bem como o respectivo modelo de acompanhamento.
Segundo a avaliação do CEF, o desempenho do sistema financeiro no segundo trimestre foi favorecido pela continuidade do crescimento do crédito à economia e pela melhoria gradual do contexto macroeconómico.
O Comité destacou que algumas instituições financeiras bancárias passaram a privilegiar a concessão de crédito em detrimento das aplicações em títulos e valores mobiliários, num cenário marcado pelo crescimento económico, estabilidade cambial, consolidação fiscal e trajectória descendente da inflação.
Apesar do cenário considerado positivo, o CEF alertou para a persistência de alguns factores de vulnerabilidade que exigem acompanhamento contínuo, com destaque para o nível de crédito em incumprimento, o aumento dos riscos cibernéticos e a concentração da actividade no sector bancário.
No plano externo, o Comité observou que o ambiente macroeconómico internacional continua marcado por um elevado grau de incerteza, associado às tensões geopolíticas e à evolução das condições financeiras globais, factores que poderão exercer pressão sobre a estabilidade financeira.
Face a este cenário, o CEF considera adequada a manutenção da actual orientação macroprudencial e defende que as instituições financeiras continuem a adoptar políticas prudentes de gestão de capital, liquidez e risco, de modo a reforçar a capacidade de absorção de eventuais choques adversos.
A próxima reunião do Comité de Estabilidade Financeira está agendada para o dia 26 de Novembro de 2026.