Ministro de Estado para a Coordenação Económica revelou os números na abertura da 2.ª Conferência Internacional sobre Energia e Águas, em Luanda. País quer atingir 73% de renováveis na matriz energética até 2027.
As energias renováveis sustentam actualmente cerca de 70% do consumo de electricidade em Angola, com a componente hídrica a representar mais de 60% desse total. Os dados foram avançados esta semanapor José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica, na abertura da 2.ª Conferência Internacional sobre Energia e Águas, que decorre em Luanda até sexta-feira.
A transformação do sector é significativa. Em 2012, o sistema eléctrico angolano era predominantemente termoeléctrico. Desde então, a produção de energia quase quadruplicou, passando de 1.772 para 6.400 megawatts, as linhas de transporte de muito alta tensão atingiram os 5.950 quilómetros e a rede de distribuição foi alargada. O país estabeleceu a meta de alcançar 73% de fontes renováveis na matriz de geração até 2027.
Massano sublinhou que esta evolução tem criado condições mais favoráveis para o crescimento da agropecuária, da indústria transformadora, da mineração, do turismo, das telecomunicações e da logística — sectores que Angola aponta como pilares de uma economia mais diversificada. Os dados mais recentes do PIB mostram a agropecuária e silvicultura a representar cerca de 25% da actividadeeconómica nacional, seguidas do comércio com 19,27%. Em 2025, Angola reconquistou o posicionamento como a sexta maior economia africana e a terceira a sul do Saara.
No sector das águas, o ministro destacou os projectosBita e Quilonga Grande, nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo, que em conjunto terão capacidade para produzir mais de 777 mil metros cúbicos de água por dia e beneficiarão cerca de 7,5 milhões de consumidores.
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, reconheceu que “os desafios continuam enormes” — comunidades sem acesso à energia e à água, assimetrias territoriais e limitações infraestruturais — mas reafirmou o compromisso do país com o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida das populações.
A conferência, que conta com a participação de parceiros de Portugal e do Brasil, debate temas como energias renováveis, eletrificação rural, interligação regional, redes inteligentes, mobilidade eléctrica, gestão integrada da água e hidrogénio verde