A transição energética avança em simultâneo na União Europeia e à escala global, com as energias renováveis a ganhar terreno estrutural face aos combustíveis fósseis — ainda que em ritmos e com características distintas nos dois contextos.
Na UE, a oferta de energias renováveis cresceu 1,4% em 2025 face ao ano anterior, totalizando 11,5 milhões de tera joules (TJ), segundo dados preliminares do Eurostat divulgados esta segunda-feira. O carvão continuou a recuar para mínimos históricos da série iniciada em 1990: a lenhite caiu 7,7% para 184.741 milhares de toneladas e a hulha 3,2% para 107.072 mil toneladas. Os produtos petrolíferos também diminuíram 2,8%, para 448.656 mil toneladas. A energia nuclear cresceu modestamente 0,2%, para 650.648 Gigawatts-hora, enquanto o gás natural aumentou 2,3% — pelo segundo ano consecutivo após a forte quebra de 2023 —, fixando-se em cerca de 13,1 milhões de TJ.
À escala global, o panorama é ainda mais expressivo. As adições de capacidade renovável instalada atingiram um recorde de 800 Gigawatts em 2025, com a energia solar a contribuir para 75% desse total, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Pela primeira vez, uma fonte renovável moderna — o solar fotovoltaico — foi responsável por mais de um quarto do crescimento global da procura primária de energia. As fontes de baixas emissões, incluindo renováveis e nuclear, contribuíram com quase 60% do aumento total da procura energética mundial, enquanto a geração a partir de combustíveis fósseis recuou ligeiramente.
Os dados da AIE sublinham que a tendência não é conjuntural: o crescimento económico global em 2025 foi normal, o que sugere que a substituição dos fósseis pelas renováveis na produção eléctrica é já um movimento estrutural, e não um efeito de abrandamento económico.
O carvão mantém-se, ainda assim, a maior fonte individual de electricidade no mundo, e os combustíveis fósseis continuam a representar mais de metade da geração eléctrica global — sinalizando que, apesar do ritmo acelerado da transição, a dependência histórica do sistema energético mundial não se desfaz numa única geração.