A Refinaria Dangote, considerada o maior complexo de refinação da África subsaariana, deu mais um passo rumo à sua entrada em bolsa ao nomear três instituições financeiras para liderar o processo de oferta pública inicial (IPO), prevista para o segundo trimestre deste ano.
De acordo com informações divulgadas nos últimos dias, a empresa selecionou a Stanbic IBTC Capital, a Vetiva Capital Management e a First Capital como consultores financeiros da operação.
A iniciativa insere-se num plano mais amplo liderado pelo empresário nigeriano Aliko Dangote, que pretende lançar uma das maiores ofertas públicas iniciais alguma vez realizadas no continente africano, com potencial para transformar os mercados de capitais regionais.
O projecto prevê uma listagem em múltiplas bolsas africanas, num modelo considerado inovador e que poderá permitir a participação de investidores institucionais e particulares de vários países.
A operação poderá envolver a venda de uma participação entre 5% e 10% da refinaria, avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares, podendo gerar até 5 mil milhões de dólares em receitas para financiar a expansão do negócio.
Especialistas apontam que esta poderá ser a primeira IPO verdadeiramente pan-africana, funcionando como teste para a integração dos mercados financeiros do continente e para a criação de mecanismos de investimento transfronteiriço.
Localizada em Lagos, na Nigéria, a Refinaria Dangote iniciou operações em 2024 e tem capacidade para processar cerca de 650 mil barris de petróleo por dia, com planos para duplicar essa capacidade nos próximos anos.
O complexo já desempenha um papel central no fornecimento de combustíveis no continente, contribuindo para reduzir a dependência africana de importações de produtos refinados e impulsionando as exportações regionais.
A entrada em bolsa da refinaria é vista como um marco para o financiamento de grandes infraestruturas em África, tradicionalmente dependentes de capital estrangeiro. A abertura do capital a investidores africanos poderá aumentar a liquidez dos mercados locais e reforçar a autonomia financeira da região.
Além disso, o sucesso da operação poderá servir de modelo para outros sectores estratégicos, como energia, mineração e infraestruturas, promovendo uma maior integração económica no continente.
Apesar do avanço do processo, detalhes finais sobre a estrutura da oferta, calendário definitivo e mercados de listagem ainda dependem de condições de mercado e aprovações regulatórias.