Mercados Financeiros

Refinaria Dangote obtém luz verde para avançar com a maior oferta pública de acções de África

A Refinaria Dangote obteve a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários da Nigéria (SEC) para lançar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na bolsa de Lagos, um passo que marca o arranque oficial daquela que deverá tornar-se a maior venda de acções de sempre em África.

A empresa, cuja refinaria de petróleo com capacidade para processar 700 mil barris por dia é a maior do continente, planeia colocar no mercado 4,1 mil milhões de acções ordinárias, a 525 naira (cerca de 0,40 dólares) cada, uma operação que poderá gerar cerca de 2,15 biliões de naira, o equivalente a aproximadamente 1,6 mil milhões de dólares, caso seja totalmente subscrita. O período de subscrição deverá abrir a 14 de Setembro. Segundo cálculos da Reuters, com base no registo pela SEC das 120,13 mil milhões de acções ordinárias já existentes da empresa, a operação implica uma avaliação da refinaria em cerca de 47 mil milhões de dólares.

Construída ao custo de cerca de 20 mil milhões de dólares, nos arredores de Lagos, numa zona franca de comércio, a refinaria Dangote entrou em funcionamento há dois anos e tornou-se rapidamente na principal fornecedora de combustíveis do mercado nigeriano, além de se ter afirmado como exportadora de combustível de aviação para a Europa, tendo beneficiado significativamente das disrupções no fornecimento global ligadas à guerra no Irão.

Este passo surge no culminar de um ano de expectativa em torno de uma operação que representa um momento histórico para os mercados de capitais da Nigéria, e insere-se num plano mais amplo de angariação de fundos, no valor total de cinco mil milhões de dólares, do qual a empresa já garantiu metade através de uma colocação privada de 2,5 mil milhões de dólares, concluída em Julho. Os fundos angariados destinam-se sobretudo a financiar a expansão da capacidade de refinação da unidade de Lagos, dos actuais 650 mil barris por dia para 1,4 milhões de barris diários, o que consolidaria a posição da refinaria como a maior unidade de refinação de único trem de produção do mundo.

O magnata nigeriano Aliko Dangote, accionista maioritário do grupo, tem afirmado que o objectivo da operação passa por alargar a base accionista da empresa a mais investidores nigerianos e africanos. A oferta inclui uma opção de sobrealocação (“greenshoe”) de 15%, permitindo a venda de acções adicionais caso a procura dos investidores exceda a alocação inicial prevista. Já antes da aprovação da SEC, o interesse em torno da operação era de tal forma elevado que o regulador nigeriano viu-se obrigado, em Junho, a suspender toda a comercialização ligada à venda de acções, após surgirem relatos de que muitos pequenos investidores, com pouca ou nenhuma experiência em investimento accionista, estariam já a abrir contas de negociação em antecipação ao IPO.

O grupo Dangote tem ainda planos para colocar em bolsa, em Londres, a sua subsidiária de cimento, e encontra-se nas fases iniciais de um novo projecto de refinaria, desta feita no Quénia, com capacidade prevista de 700 mil barris diários. Paralelamente, segundo a Bloomberg, a petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), está em conversações para adquirir uma participação nas refinarias do grupo nigeriano.

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