A República Democrática do Congo (RDC), maior produtora de cobalto do mundo e detentora de uma das maiores riquezas minerais do planeta, deu um passo concreto para a criação da sua primeira bolsa de valores.
Em Junho, o governo assinou com a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Grupo Banco Mundial dedicado ao sector privado, um acordo de cooperação para o desenvolvimento da Bolsa de Valores de Kinshasa (KSE).
O acordo foi assinado na capital, Kinshasa, a 18 de Junho, pelo ministro das Finanças, Doudou Fwamba Likunde Li-Botayi, e pelo director nacional da IFC, Malick Fall. O projecto surge com o duplo propósito de oferecer às empresas congolesas um ecossistema formal para a captação de capital e abrir um novo mercado de fronteira a investidores internacionais — numa economia com mais de 110 milhões de habitantes e um produto interno bruto projectado acima dos 123 mil milhões de dólares em 2026, mas que nunca dispôs de um mercado de valores mobiliários formal.
A parceria incidirá sobre seis áreas: desenvolvimento do quadro regulatório da bolsa, construção da infraestrutura de mercado, reforço da capacidade técnica local, transferência de conhecimento, expansão da base de investidores e apoio operacional e financeiro nos primeiros anos de funcionamento. A legislação habilitante aguarda ainda aprovação parlamentar, e nenhuma data de abertura foi até ao momento anunciada.
A iniciativa segue-se à estreia histórica da RDC no mercado internacional de capitais, com a emissão da sua primeira série de Eurobonds no valor de 1,25 mil milhões de dólares, operação que foi fortemente sobresubscrita e sinalizou uma crescente confiança dos investidores na economia congolesa.