Quinze bancos a operar em Angola assinaram uma Carta de Compromisso do Sector Bancário para o Financiamento Sustentável, obrigando-se a integrar progressivamente critérios ambientais, sociais e de governação (ESG) na sua actividade.
O documento foi assinado recentemente, no encerramento de um workshop executivo sobre o tema, e apresentado publicamente esta quarta-feira em Luanda, na IV Conferência sobre Sustentabilidade na Banca, promovida pela Associação Angolana de Bancos (ABANC).
As instituições signatárias são o Access Bank Angola, Banco Millennium Atlântico, Banco Angolano de Investimentos, Banco Caixa Geral Angola, Banco Comércio e Indústria, Banco de Crédito do Sul, Banco Económico, Banco de Fomento Angola, Banco Internacional de Crédito, Banco de Investimento Rural, Banco de Poupança e Crédito, Banco Keve, Banco Sol, Standard Bank Angola e Banco Yetu.
Ao subscreverem a Carta, os bancos comprometem-se a incorporar a sustentabilidade na governação corporativa, integrar riscos climáticos e sociais na avaliação de investimentos, desenvolver instrumentos financeiros sustentáveis, mobilizar financiamento climático internacional e divulgar anualmente os progressos alcançados.
A iniciativa surge num momento em que Angola enfrenta consequências crescentes das alterações climáticas — secas, inundações e erosão costeira — com impacto directo em sectores estratégicos como a agricultura, a energia, os recursos hídricos, as pescas e as infra-estruturas. A capacidade da banca para canalizar capital para projectos sustentáveis é vista como determinante para reforçar a resiliência da economia nacional.
O compromisso alinha-se com a Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas 2018-2030 e com os Princípios de Sustentabilidade do Sector Financeiro Angolano promovidos pelo Banco Nacional de Angola, contribuindo para as metas de redução de emissões e para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
A conferência, subordinada ao tema “Financiamento Sustentável em Angola: da Estratégia à Implementação com Impacto Inclusivo”, tem a sessão de abertura presidida pela ministra das Finanças, Vera Daves, e reúne representantes do Governo, reguladores, organismos multilaterais e especialistas nacionais e internacionais.