Internacional

EUA descrevem negociações com o Irão como “positivas” enquanto Casa Branca pondera regresso à guerra

Enviados dos Estados Unidos e do Irão estão reunidos no Qatar, mas sem contacto directo entre si. Washington classificou como positivas as negociações indirectas com Teerão para um acordo de paz de longo prazo, ainda que a Casa Branca tenha, segundo a imprensa norte-americana, ponderado um regresso à guerra. Enviados dos dois países encontram-se no Qatar para conversações com mediadores, mas não deverão reunir-se directamente entre si.

Entre os principais entraves está a recusa de Israel em retirar as suas tropas do sul do Líbano, onde continuam os combates com o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão, e a insistência iraniana em cobrar taxas pela navegação no Estreito de Ormuz, proposta que terá o apoio de Omã. Os navios continuam a atravessar a via marítima, mas as dúvidas sobre a durabilidade do cessar-fogo levaram a uma ligeira subida dos preços do petróleo.

De acordo com o Wall Street Journal, o Presidente Donald Trump foi informado sobre a possibilidade de retomar ataques em larga escala contra o Irão, mas “decidiu manter-se fiel às conversações diplomáticas”. Segundo o jornal, Trump reuniu-se várias vezes com o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e com o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, para discutir se deveria abandonar as negociações. Terá, no entanto, manifestado a colaboradores o receio de que uma nova vaga de ataques comprometa a via diplomática e o objectivode longo prazo de desmantelar o programa nuclear iraniano, preferindo por agora respostas pontuais em caso de violação do memorando de entendimento entretanto assinado com Teerão.

O acordo, rubricado em Junho por Trump e pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, estabeleceu um cessar-fogo de 60 dias para permitir a continuação das negociações sobre as questões ainda em aberto, incluindo o programa nuclear iraniano. O entendimento tem-se revelado frágil: trocas de ataques entre as partes já colocaram em causa a sua continuidade, e o Irão condicionou novas negociações à aplicação efectiva dos termos acordados, entre os quais a retirada das forças israelitas do Líbano.

 

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