Mercados Financeiros

Privatização do Standard Bank Angola pode valer 225 milhões de dólares ao Estado

O Estado deverá arrecadar 208,5 mil milhões de kwanzas — cerca de 225 milhões de dólares, ao câmbio actual — com a venda de 34% do capital do Standard Bank Angola (SBA), numa Oferta Pública de Venda (OPV) lançada na quinta-feira, dia 10 de Setembro, e apresentada pelas autoridades como um momento decisivo tanto para o mercado de capitais nacional como para o Programa de Privatizações (Propriv).

A OPV disponibiliza 4,76 milhões de acções ordinárias do Standard Bank Angola, actualmente detidas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), em representação do Estado angolano. Do total de acções colocadas à venda, 24% destinam-se ao accionista Standard Bank Group (SBGL), que está a exercer o seu direito de preferência, e os restantes 10% ao público em geral.

O preço por acção varia entre um mínimo de 41.220 kwanzas (cerca de 45 dólares) e um máximo de 50.000 kwanzas (cerca de 54 dólares). Caso a totalidade das acções seja colocada aos preços máximos previstos, prevê-se um encaixe de 138,5 mil milhões de kwanzas (cerca de 150 milhões de dólares) com as 3,36 milhões de acções destinadas ao Standard Bank Group, e de 70 mil milhões de kwanzas (cerca de 76 milhões de dólares) com o 1,4 milhões de acções reservadas ao público — totalizando os 208,5 mil milhões de kwanzas, ou cerca de 225 milhões de dólares, mencionados no valor máximo bruto da operação.

A oferta decorre até 25 de Setembro. O apuramento dos resultados está previsto para uma sessão especial da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), a 28 de Setembro, seguindo-se a liquidação física e financeira a 29 de Setembro. Todas as acções do Standard Bank Angola — e não apenas as que estão a ser colocadas no mercado — vão ficar admitidas à negociação em bolsa.

Uma redistribuição accionista significativa

Actualmente, o Standard Bank Group detém 51% do capital do Standard Bank Angola, enquanto o IGAPE, em nome do Estado, detém os restantes 49%, dos quais coloca agora à venda 34 pontos percentuais. Concluída a OPV, a estrutura accionista do banco deverá ficar assim distribuída: o Standard Bank Group passa a deter 75%, o IGAPE fica reduzido a 15% — participação que deverá depois transitar para o Fundo Soberano de Angola —, e os novos accionistas, resultantes da presente oferta, ficam com os restantes 10%.

Na cerimónia de lançamento da operação, o presidente da comissão executiva da Standard Invest, Fábio Guedes, sublinhou que o Standard Bank não está, na prática, a vender acções, mas antes a reforçar a sua posição accionista no banco angolano ao exercer o direito de preferência sobre a fatia colocada à venda pelo Estado.

Uma operação com origem no confisco de bens a Carlos São Vicente

A participação de 34% agora vendida corresponde a uma parte dos activos que foram objecto de uma decisão do Estado angolano de confisco de bens ao empresário Carlos São Vicente, e que ficaram sob gestão do IGAPE. A operação insere-se, assim, no âmbito mais amplo do Programa de Privatizações do Estado angolano.

Na apresentação do processo, a administradora executiva do IGAPE, Carla Nogueira, classificou o momento como mais uma etapa decisiva para o mercado de capitais angolano e para a concretização dos objectivos do Propriv, recordando que, de forma acumulada, as seis operações públicas anteriores realizadas no âmbito do programa já envolveram mais de 25 mil investidores, que movimentaram montantes equivalentes a 1,6 biliões de kwanzas — cerca de 1,7 mil milhões de dólares —, representando 2,7 vezes a capitalização bolsista inicialmente esperada para essas operações.

Carla Nogueira destacou ainda o “percurso consolidado de rigor, solidez financeira” do Standard Bank Angola e o seu “contributo activo para o financiamento das famílias, das empresas e dos grandes projectos estruturantes da economia angolana”, recordando que o banco integra o maior grupo financeiro do continente africano, com mais de 160 anos de história e presença directa em cerca de 20 países africanos.

O Standard Bank Angola é actualmente o terceiro banco mais rentável do país, tendo fechado o exercício de 2025 com um lucro de cerca de 164 milhões de dólares — atrás apenas do Banco Africano de Investimentos (BAI), que registou um resultado líquido de cerca de 321 milhões de dólares, e do Banco de Fomento Angola (BFA), com cerca de 245 milhões de dólares.

O reforço da posição accionista do Standard Bank Group na instituição angolana foi também descrito, pela própria administração do grupo, como “um sinal de confiança” — quer na solidez das instituições financeiras angolanas, quer na maturidade do mercado de capitais do país e nas perspectivas de evolução da economia nacional, vindo de um dos maiores e mais experientes investidores estratégicos do continente africano.

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