Mercados Financeiros

Presidente da ARC defende reforço institucional como chave para mercados mais competitivos em Angola

Eugénia Chela Pontes Pereira, presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC), defende que o reforço institucional da entidade é a prioridade central para aprofundar a competitividade dos mercados angolanos e atrair investimento. Em entrevista recente, a responsável advoga uma autoridade “forte, com autonomia efectiva, recursos adequados e mecanismos de financiamento sustentáveis” como condição necessária para uma aplicação eficaz da Lei da Concorrência.

“Se tivesse de destacar uma prioridade, diria que o reforço institucional da ARC é um elemento-chave para aprofundar a competitividade dos mercados em Angola”, afirma, sublinhando que “mercados mais competitivos dependem de instituições fortes — e esse é um dos pilares fundamentais para consolidar um ambiente económico mais aberto, previsível e atractivo ao investimento.”

Para os próximos anos, a ARC elege como prioridades o reforço da fiscalização e investigação de práticas anticoncorrenciais, a avaliação do impacto concorrencial das políticas públicas e a eliminação de barreiras à entrada de novos operadores. A intervenção incidirá em sectores estratégicos como a distribuição alimentar, as pescas, a construção, o transporte marítimo e portuário e o segmento downstream da indústria petrolífera.

A modernização tecnológica é outro eixo da estratégia. A digitalização dos processos através do Sistema de Notificação Electrónica de Actos de Concentração (SINEAC) deverá tornar os procedimentos mais céleres e acessíveis, enquanto a capacitação técnica das equipas e a promoção da cultura de concorrência completam o quadro de acção previsto.

Eugénia Pereira considera que o maior desafio para a concorrência em Angola não reside num risco específico, mas na necessidade de acompanhar as reformas económicas com uma evolução consistente das condições de funcionamento dos mercados. “À medida que a economia se transforma e se diversifica, torna-se essencial garantir que os mercados permanecem abertos, contestáveis e capazes de acomodar novos operadores e novos modelos de negócio”, sustenta.

Na sua perspectiva, a política de concorrência terá um papel determinante no processo de diversificação económica: a eliminação de barreiras à entrada favorece a inovação, aumenta a eficiência, reduz custos e cria condições para o surgimento de novos sectores. “Mercados mais concorrenciais são mercados mais inovadores, mais resilientes e mais capazes de sustentar uma economia diversificada”, disse Eugénia Pereira em entrevista à Forbes África Lusófona.

Licenciada em Gestão com especialização em Gestão Financeira, Eugénia Chela Pontes Pereira iniciou o percurso no extinto Instituto de Preços e Concorrência (IPREC), onde viria a assumir funções de liderança. Passou depois pelo sector privado — na KPMG e na Unitel — antes de assumir, em 2019, a presidência da ARC, instituição responsável pela promoção e defesa da concorrência em Angola.

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