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Os 16 avos de final do Mundial provam que em campo tudo é possível

A fase de grupos do Mundial 2026 ficou marcada por críticas ao alargamento da competição — 48 seleções, um sistema de apuramento abrangente e jogos de baixo risco em que muitas equipas preferiram não perder a tentar ganhar.

Os 16 avos de final trouxeram um futebol diferente: todos os jogos disputados até agora foram decididos no limite, incluindo três sessões de penáltis, e o padrão mais saliente foi a vitória sistemática dos países economicamente mais débeis sobre os mais ricos.

Alemanha-Paraguai: o gigante que atirou para as nuvens

O Paraguai — sete milhões de habitantes e um PIB per capita de cerca de 10% do alemão — chegou ao intervalo a vencer a tetracampeã do mundo. Na segunda parte e no prolongamento, a Alemanha dominou de forma consistente, com o golo a parecer iminente. Aos 83 minutos de prolongamento, o defesa Jonathan Tah assinalou aquilo que parecia ser o golo da passagem, mas o VAR anulou por posição de fora de jogo.

Nos penáltis, o guarda-redes paraguaio Orlando Gill, de 26 anos e formado no San Lorenzo argentino, defendeu dois remates. Tah, o mesmo que vira o golo anulado, atirou o último penálti alemão para cima da barra. O Paraguai venceu e o Presidente Santiago Peña decretou feriado nacional.

Países Baixos-Marrocos: a bola bateu no pé de Verbruggen

O jogo com maior cartaz desta fase colocou frente a frente Marrocos — semifinalista no Qatar 2022 — e os Países Baixos, com um PIB per capita nominalmente 16 vezes superior ao marroquino. Os neerlandeses abriram o marcador e controlaram a vantagem até ao minuto 90, quando Diop empatou. As estatísticas registaram 70% de posse de bola para Marrocos durante grande parte do encontro.

Nos penáltis, foi Marrocos a falhar primeiro. Na segunda ronda de cobranças, Justin Kluivert atirou ao poste e Rahimi foi converter o empate numa das imagens mais improváveis do torneio: o guarda-redes Verbruggen defendeu, mas a bola bateu-lhe no pé e entrou na sua própria baliza. Marrocos apurou-se e vai defrontar o Canadá nos oitavos de final.

Brasil-Japão: Ancelotti deu a volta ao resultado

O Japão chegou ao intervalo a vencer o pentacampeão do mundo e manteve a vantagem até à segunda parte. O Brasil — apesar de ter mais do dobro da população japonesa e um PIB per capita 3,5 vezes inferior — conseguiu dar a volta ao resultado sem necessidade de prolongamento. No banco, Carlo Ancelotti geriu o regresso com Vinicius Jr. como peça central.

Esta noite continuam os 16 avos de final, com Costa do Marfim-Noruega (18h), França-Suécia (22h) e México-Equador (2h de quarta-feira).

 

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