O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reconheceu este domingo a derrota nas eleições legislativas, abrindo caminho à chegada ao poder do líder da oposição, Peter Magyar, num resultado com impacto político para a Europa e além-fronteiras.
Numa declaração feita em Budapeste, Viktor Orbán admitiu a derrota de forma antecipada, felicitando a oposição e reconhecendo que “a responsabilidade e a oportunidade de governar não nos foram dadas”. Ainda assim, garantiu que não abandonará a vida política: “Não desistimos. Nunca, nunca, nunca.”
A vitória da oposição deverá conduzir Peter Magyar, antigo aliado de Orbán e actual líder do principal partido da oposição, ao cargo de primeiro-ministro, assim que o novo Parlamento tomar posse. Perante apoiantes reunidos nas margens do rio Danúbio, Magyar celebrou o resultado: “Libertámos a Hungria e recuperámos o nosso país.”
Com quase 70% dos votos apurados, o partido da oposição seguia com vantagem clara, projectando cerca de 137 lugares parlamentares — uma maioria de dois terços — enquanto o partido Fidesz, de Orbán, se ficaria por cerca de 55 deputados.
As eleições registaram uma participação superior a 77%, a mais elevada desde o fim do regime comunista, em 1989, num escrutínio visto como decisivo para o futuro da democracia liberal no país.
O resultado representa uma reviravolta significativa após 16 anos de governação consecutiva de Orbán, durante os quais o líder húngaro consolidou poder, reformulou instituições e promoveu um modelo de “democracia iliberal”, tornando-se uma referência para movimentos populistas de direita na Europa e nos Estados Unidos.
A derrota de Orbán é encarada como um revés para figuras como Donald Trump e para o Kremlin, que acompanharam de perto o processo eleitoral e manifestaram apoio ao líder húngaro. Em contraste, o desfecho foi saudado por sectores liberais e pela União Europeia, frequentemente em conflito com Budapeste.
As implicações do resultado poderão ir além da política interna. A mudança de liderança pode influenciar a posição da Hungria em relação à guerra na Ucrânia e redefinir o papel do país na segurança europeia, depois de anos de tensões com Bruxelas e de aproximação a Moscovo, liderado por Vladimir Putin.
Durante a campanha, Peter Magyar prometeu combater a corrupção e romper com o sistema instalado, procurando mobilizar eleitores insatisfeitos com a estagnação económica e o desgaste do poder. Apesar de evitar temas fracturantes, o candidato apostou numa mensagem central: a necessidade de mudança.
A vitória da oposição marca assim o fim de um ciclo político dominante e inaugura uma nova fase de incerteza — e expectativa — para o futuro da Hungria.