Com 48 selecções, 104 jogos e um alcance estimado de 5 a 6 mil milhões de espectadores, o campeonato do mundo que arranca esta quinta-feira nos Estados Unidos, México e Canadá é o maior evento desportivo da história em termos financeiros. A receita prevista pela FIFA ultrapassa o PIB de mais de 50 pequenas economias.
O Mundial de 2026 começa esta quinta-feira e já bateu recordes antes de a bola rolar. É a primeira edição com 48 selecções — 16 a mais do que em 2022 —, o que elevou o número de jogos de 64 para 104, com a final marcada para 19 de Julho. A dimensão desportiva tem tradução directa nos números financeiros: a FIFA estima receitas superiores a 11 mil milhões de euros no ciclo de quatro anos que culmina neste torneio, o maior volume de sempre gerado por um evento desportivo.
Para ter escala de comparação: esse valor ultrapassa o Produto Interno Bruto de mais de 50 pequenas economias, e deverá chegar a uma audiência global de 5 a 6 mil milhões de pessoas — a maioria dos 8,3 mil milhões de habitantes do planeta.
Os direitos de transmissão são a principal fonte de receita, representando 55% do total. Os leilões para televisão e streaming bateram recordes nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, beneficiando dos fusos horários dos três países anfitriões, que permitem transmitir jogos em horário nobre para a Europa e em manhã ou madrugada para a Ásia. Os patrocínios e parcerias comerciais somam 25%, a venda de bilhetes 15% — com 104 jogos em vez de 64, a capacidade cresce 62% — e o licenciamento de produtos oficiais os restantes 5%.
A comparação com outros eventos de grande escala ajuda a situar o torneio. Os Jogos Olímpicos, que também ocorrem de quatro em quatro anos, geram entre 6,5 e 7 mil milhões de euros com um alcance de 3 a 4 mil milhões de espectadores. O Euro 2024 ficou nos 2,4 mil milhões com uma audiência de 2 mil milhões. A Liga dos Campeões é, paradoxalmente, a competição mais lucrativa em base anual — 3,5 a 4 mil milhões por época —, mas não tem a dimensão global do Mundial.
O torneio reúne selecções que representam cerca de metade da população mundial. Mesmo gigantes como a China e a Índia, que não se qualificaram, deverão contribuir para as receitas através da atenção mediática que dedicam ao evento — dois mercados que a FIFA e os seus parceiros comerciais não ignoram.