O director comercial do grupo em Angola, Licínio Sanches, defende uma maior integração entre os vários meios de transporte e alerta que os jovens profissionais precisam de “ambição e flexibilidade” para não perderem o comboio da evolução tecnológica.
O sector dos transportes em Angola atravessa uma fase de evolução, com oportunidades abertas pela introdução de novas tecnologias e pelo reforço da cooperação entre os diferentes intervenientes. A leitura é de Licínio Sanches, director comercial da NORS em Angola, que falou à imprensa nesta terça-feira, 29 de Setembro, em Luanda, no final de um painel dedicado ao tema “Futuro dos Transportes Africano: Inovação, Talento e os Empregos de Amanhã”.
O debate decorreu numa altura em que a capital angolana acolhe a segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit (AHTLS 2026), que se realiza até 30 de Setembro no Centro de Convenções de Talatona. O encontro, organizado pelo Ministério dos Transportes, reúne decisores políticos, investidores e especialistas de 27 países e tem como temas centrais o Corredor do Lobito, a atracção de investimento para infraestruturas e a transformação digital do sector.
Para Licínio Sanches, o futuro do sector passa pela conjugação de quatro factores: investimento em infraestruturas, inovação tecnológica, integração entre os diferentes meios de transporte e valorização das pessoas. O responsável defendeu uma maior articulação entre os sectores rodoviário, ferroviário, aeroportuário e marítimo, que considera essencial para aumentar a eficiência dos transportes e da logística no país.
O gestor reconheceu que as redes rodoviária, ferroviária, portuária e aeroportuária estão hoje em melhores condições do que no passado, mas admitiu que ainda há “um caminho a fazer”. Na sua opinião, as dificuldades devem ser vistas como oportunidades para novos investimentos, e apontou como exemplo a reabilitação dos corredores ferroviários, que abriu novas possibilidades para o transporte de mercadorias e passageiros.
A qualificação dos jovens foi outro dos temas centrais da intervenção. Para Sanches, a formação académica e técnica já não basta: a velocidade a que surgem novas tecnologias exige profissionais dispostos a actualizar os conhecimentos de forma permanente. “Se esse novo profissional não tiver ambição e flexibilidade para aprender um pouco mais, vai perder o comboio da evolução”, advertiu.
A empresa recebe anualmente dezenas de estagiários, e alguns acabam por integrar os quadros. O director comercial sublinhou que a retenção do talento nacional é uma prioridade, com o objectivo de garantir que um jovem que trabalha em Angola sinta o mesmo reconhecimento e mérito que teria em qualquer outra parte do mundo. A NORS mantém também projectos sociais e programas de cooperação com instituições de ensino.
No transporte terrestre, onde a empresa actua directamente, Sanches destacou o trabalho de digitalização e modernização em curso. A ideia é trazer para o mercado angolano tecnologias já usadas noutras geografias, incluindo ferramentas digitais e soluções de conectividade para melhorar a eficiência de operadores e empresas do sector.
Mais de três décadas em Angola
A NORS é um grupo português com origem na Auto Sueco, fundada no Porto em 1933, quando Luiz Óscar Jervell se tornou representante da Volvo em Portugal. O grupo, detido pelas famílias Jervell, maioritária, e Jensen, adoptou o nome NORS em 2013, quando já estava presente em quatro continentes e 24 mercados.
Angola foi o primeiro passo da internacionalização do grupo, que se instalou no país em 1991 a pedido da Volvo. A Auto Sueco Angola, sediada em Luanda, passou a importar, comercializar e prestar assistência pós-venda aos camiões, autocarros, motores e automóveis Volvo. Em 2005, o grupo começou a distribuir os equipamentos de construção da Volvo no país, através da Auto-Maquinaria, e em Janeiro de 2020 a KinLai iniciou a actividade como concessionária dos camiões chineses Dongfeng.
Em Outubro de 2024, todas estas marcas foram unificadas sob o nome NORS em Angola, com a criação de divisões como a Nors Trucks and Buses Angola e a Nors Construction Equipment Angola. Na altura, a empresa descreveu Angola como um mercado estratégico. Em Janeiro de 2024, o grupo já tinha inaugurado novas instalações no país dedicadas ao pós-venda de camiões, autocarros e semi-reboques e à venda e pós-venda de equipamentos de construção.
Com longa experiência no mercado angolano, Licínio Sanches começou a carreira na área comercial de equipamentos para a indústria papeleira e passou depois pela Atlas Copco em Portugal, antes de se mudar para Angola como Country Manager da empresa. No Grupo NORS, entrou como director executivo da Auto-Maquinaria e foi, mais tarde, CEO da Auto Sueco Angola.
Foto: Director comercial do grupo em Angola- Licínio Sanches