A agência manteve a classificação B3, mas passou a perspectiva de estável para positiva, destacando a melhoria dos fundamentos macroeconómicos e a maior estabilidade fiscal
A agência de notação financeira Moody’s reafirmou o rating soberano de longo prazo de Angola em B3, em moeda estrangeira e local, e alterou a perspectiva de estável para positiva. A decisão foi anunciada a 25 de setembro de 2026.
Segundo a agência, se a trajectória actual se mantiver, aumenta a probabilidade de uma subida do rating nos próximos 12 a 18 meses. A Moody’s justifica a mudança com a melhoria dos fundamentos macroeconómicos e a maior estabilidade das contas públicas. Ainda assim, o nível B3 continua abaixo do chamado “grau de investimento”, o patamar que muitos investidores institucionais exigem para aplicar capital.
A decisão encerra uma década marcada por descidas e recuperações. Em Outubro de 2017, a Moody’sclassificava Angola em B2, com perspectiva estável. Em Fevereiro de 2018, a notação foi colocada sob revisão e, em Abril desse ano, desceu para B3.
O momento mais difícil chegou em 2020. Em Março, o rating foi novamente colocado sob revisão e, em Setembro, desceu para Caa1, já na categoria de risco substancial. A descida ocorreu num ano marcado pela queda do preço do petróleo e pelos efeitos da pandemia.
A recuperação começou um ano depois. Em Setembro de 2021, a Moody’s devolveu Angola ao nível B3, com perspectiva estável. Em Outubro de 2022, manteve a classificação e melhorou a perspectiva para positiva.
Essa melhoria não se confirmou. Em Novembro de 2024, a agência reverteu a perspectiva para estável, apontando o abrandamento da consolidação orçamental e o peso elevado da dívida pública. A decisão agora anunciada recupera, quase dois anos depois, a perspectiva positiva.
Um teste à consolidação orçamental
O histórico mostra que a perspectiva da Moody’s tem acompanhado de perto o ritmo da consolidação fiscal e as condições externas, em particular as do mercado petrolífero. Desde 2021, a classificação de Angola mantém-se em B3. As oscilações têm-se limitado à perspectiva, que variou entre estável e positiva.
Uma eventual subida de rating seria a primeira desde 2021 e colocaria Angola de novo no nível B2, que o país detinha em 2017. Uma notação mais elevada tende a reduzir o custo do financiamento externo e a melhorar a percepção de risco junto dos investidores. Isso ganha relevância num país que continua a enfrentar um serviço da dívida exigente.
A concretização desse cenário dependerá, nos próximos 12 a 18 meses, da capacidade do Executivo para manter a disciplina orçamental e reduzir o endividamento, bem como da evolução das receitas petrolíferas.