Mercados Financeiros

Massano defende maior acesso ao crédito para impulsionar a economia africana

Ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola considera que a rentabilidade do sector bancário deve traduzir-se em maior financiamento à agricultura, indústria transformadora e pequenas e médias empresas. A digitalização e a integração financeira são apontadas como instrumentos para acelerar o desenvolvimento do continente.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, defendeu, esta manhã, terça-feira, dia 3, em Luanda, a necessidade de os sistemas financeiros africanos reforçarem o financiamento à economia real, canalizando mais recursos para sectores produtivos, como a agricultura, a indústria transformadora e as pequenas e médias empresas.

A posição foi expressa durante o discurso de abertura da Africa Financial Summit (AFIS 2026), que decorre nos dias 3 e 4 de Novembro, em Luanda, sob o lema “Making Capital Count”, reunindo responsáveis governamentais, instituições financeiras, investidores e representantes do sector empresarial para debater os desafios da mobilização de capital e do desenvolvimento dos mercados financeiros africanos.

Na sua intervenção, Massano destacou o crescimento da actividade bancária no continente, assinalando que as receitas do sector ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares em 2024, com níveis de rentabilidade comparáveis aos de outros mercados emergentes.

Contudo, observou que este desempenho ainda não se reflecte num acesso proporcional ao crédito por parte das empresas e dos agentes económicos. Sectores considerados fundamentais para a transformação estrutural das economias africanas continuam a enfrentar dificuldades na obtenção de financiamento.

O governante chamou igualmente a atenção para o peso da economia informal, estimando que cerca de 85% do emprego em África se encontra neste segmento. Esta realidade, segundo a intervenção, limita a arrecadação fiscal dos Estados e restringe o acesso de uma parte significativa da população aos serviços financeiros essenciais.

Digitalização como instrumento de inclusão

A transformação digital foi apontada como uma das ferramentas com maior potencial para reduzir estas limitações. A utilização de tecnologias financeiras, incluindo soluções baseadas em inteligência artificial, poderá contribuir para diminuir os custos operacionais dos bancos, aperfeiçoar os mecanismos de avaliação de risco e facilitar o acesso ao crédito.

Estas soluções poderão permitir que cidadãos e empresas sem garantias formais, normalmente exigidas pelas instituições bancárias, tenham melhores oportunidades de acesso aos serviços financeiros.

A inovação tecnológica surge, assim, como um instrumento importante para alargar a inclusão financeira e aproximar o sistema bancário das necessidades da economia real.

Integração financeira para dinamizar o comércio africano

Outro desafio identificado prende-se com a necessidade de aprofundar a integração económica e financeira do continente. Os elevados custos dos pagamentos transfronteiriços continuam a constituir um obstáculo ao comércio entre os países africanos, dificultando as transacções e limitando o aproveitamento das oportunidades criadas pela integração dos mercados.

Neste contexto, foi destacada a importância do Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS), bem como das iniciativas destinadas a integrar os mercados de capitais africanos.

Estas plataformas poderão contribuir para reduzir os custos das operações financeiras entre países, facilitar as transacções comerciais e criar uma arquitectura financeira mais adequada às ambições de integração económica do continente.

Instituições multilaterais no financiamento das infra-estruturas

A mobilização de recursos para responder ao défice de financiamento das infra-estruturas africanas constituiu igualmente um dos pontos centrais da intervenção.

O discurso destacou o papel estratégico das instituições financeiras multilaterais do continente e a participação dos parceiros internacionais de desenvolvimento, considerados fundamentais para aumentar a capacidade de mobilização de fundos destinados a projectos estruturantes.

Para além da concessão directa de financiamento, estas instituições desempenham funções de multiplicação de capital, mobilização de investimento privado e criação de condições para a concretização de projectos com impacto na transformação económica.

A mensagem deixada na abertura do AFIS 2026 aponta, assim, para a necessidade de reforçar a capacidade financeira destas instituições e melhorar a articulação entre os diferentes intervenientes, de modo a acelerar a concretização dos investimentos de que África necessita.

 

Relacionadas

Massano defende maior acesso ao crédito para impulsionar a economia

Ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola considera

Queda da bolsa brasileira após reeleição de Lula agrava crise

O recente colapso da bolsa brasileira, na sequência da reeleição

Credores africanos lançam banco de energia de 5 mil milhões

Instituições financeiras africanas lançaram um banco de energia de 5