Economia

Lucros da TotalEnergies duplicam para 4,8 mil milhões de euros no 2.º trimestre, com Angola entre os pilares do crescimento

Petrolífera francesa beneficia da subida dos preços dos hidrocarbonetos devido ao conflito no Médio Oriente, num trimestre em que reforça também os seus investimentos no país.

Os lucros da gigante francesa de petróleo e gás TotalEnergies duplicaram no segundo trimestre, atingindo os 5,4 mil milhões de dólares, impulsionados pela subida dos preços dos hidrocarbonetos provocada pela guerra no Médio Oriente.

“Num cenário de preços elevados devido ao conflito no Médio Oriente, a TotalEnergies está a alavancar o seu modelo integrado e a sua diversificação para registar um lucro líquido ajustado de seis mil milhões de dólares no segundo trimestre”, afirmou o director executivo da empresa, Patrick Pouyanné, em comunicado.

No primeiro semestre do ano, o lucro líquido alcançou 11,2 mil milhões de dólares, um aumento de 73% em relação ao período homólogo do ano anterior.

O conselho de administração aprovou ainda a continuidade do programa de recompra de acções, no valor de até 1,5 mil milhões de dólares, durante o terceiro trimestre, considerando que a forte geração de fluxo de caixa e a redução da dívida permitem à empresa manter a sua política de remuneração aos accionistas. Como parte dessa política, a TotalEnergies distribuirá um segundo dividendo provisório de 0,90 euros por acção, referente aos lucros de 2026, em linha com o primeiro dividendo pago este ano e 5,9% superior ao total de dividendos provisórios e finais pagos referentes aos lucros de 2025.

Angola, uma das apostas centrais da petrolífera francesa

Os resultados divulgados pela TotalEnergies chegam numa altura em que a empresa reforça a sua presença em Angola, país onde é um dos maiores investidores no sector petrolífero e de gás. Entre os projectos em curso destaca-se o Kaminho, no Bloco 20/11, um desenvolvimento offshore em águas profundas avaliado em seis mil milhões de dólares — o primeiro deste porte na Bacia do Kwanza —, liderado pela TotalEnergies com 40% de participação, ao lado da Petronas (também com 40%) e da Sonangol (20%). O projecto, cujo arranque está previsto para 2028, deverá atingir uma produção de cerca de 70 mil barris por dia, através dos campos Cameia e Golfinho.

A petrolífera francesa concluiu ainda, em 2025, o arranque dos projectos Begonia e CLOV Fase 3, que juntos acrescentaram cerca de 60 mil barris por dia à produção angolana — sendo o Begonia o primeiro desenvolvimento inter-blocos do país, com a TotalEnergies a deter 30% de participação como operadora. A empresa garantiu também a extensão do contrato de operação do Bloco 32 até 2043, assegurando o futuro dos desenvolvimentos ligados às FPSO Kaombo Norte e Kaombo Sul.

No segmento do gás natural, a TotalEnergiesalcançou este ano o primeiro gás do campo de Quiluma, no âmbito do Novo Consórcio de Gás (New Gas Consortium), marcando o primeiro grande desenvolvimento angolano de gás não associado. Em pleno funcionamento, os campos de Quiluma e Maboqueiro deverão processar cerca de 330 milhões de pés cúbicos de gás por dia, alimentando a fábrica da Angola LNG com cerca de 2 milhões de toneladas de GNL por ano, além de reforçar o abastecimento do mercado interno.

A aposta da petrolífera não se limita aos hidrocarbonetos: a empresa está também a construir o projecto solar de Quilemba, perto do Lubango, com uma capacidade inicial de 35 megawatts-pico (MWp), prevendo-se uma segunda fase que deverá acrescentar mais 45 MWp.

Impacto para Angola

Segundo dados do sector, a TotalEnergies planeia investir três mil milhões de dólares em Angola nos próximos anos, num contexto em que o país aposta na atracção de investimento estrangeiro para travar o declínio da produção petrolífera e sustentar a extracção acima de um milhão de barris por dia. Os projectos liderados pela petrolífera francesa — a par de outros operadores internacionais, como a Azule Energy — inserem-se numa vaga de investimentos avaliada em cerca de 70 mil milhões de dólares no sector upstream angolano, considerada essencial para compensar o declínio natural da produção nos campos mais antigos e para reforçar as receitas fiscais do Estado, fortemente dependentes do petróleo.

A relevância da presença da TotalEnergies em Angola deverá ser novamente sublinhada em Setembro, quando o presidente executivo da empresa, Patrick Pouyanné, discursar na conferência Angola Oil & Gas (AOG) 2026, em Luanda, agendada para os dias 9 e 10 desse mês.

 

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