Política 

Luanda recebe líderes mundiais para pedir o fim das guerras, numa cimeira que junta arcebispos, judoca e generais

A capital transforma-se, esta quinta e sexta-feira, 16 e 17 de Julho, no ponto de encontro de chefes de Estado, líderes religiosos, diplomatas, jovens activistas e até uma judoca angolana, todos reunidos pela mesma causa: pedir o fim das guerras e o respeito pelo direito internacional.

Luanda acolhe a terceira edição da iniciativa “Apelo à Paz, ao Fim das Guerras e ao Respeito pelo Direito Internacional”, promovida pela Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC) em parceria com o Governo angolano, depois de edições anteriores em Gernika, Espanha, e Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina.

O primeiro dia, esta quinta-feira, é dedicado à Cimeira da Aliança para a Paz, que arranca com uma cerimónia de abertura oficial no Pavilhão Protocolar da Presidência da República, e conta com presença do  Presidente João Lourenço. Juntam-se-lhe, entre outros, o alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações, o espanhol Miguel Ángel Moratinos, e o presidente da Comissão da União Africana, o djibutiano Mahamoud Ali Youssouf — uma espécie de reunião de cúpula da diplomacia da paz, num momento em que o mundo assiste a guerras activas em várias frentes, do Médio Oriente à Europa de Leste.

Já a sexta-feira é reservada a mesas-redondas temáticas, num formato mais interactivo, com participantes bem menos habituais em cimeiras deste tipo. Entre os nomes confirmados está o arcebispo metropolitano de Luanda, D. Filomeno do Nascimento Vieira Dias, ao lado de figuras religiosas de outras confissões, como o xeque azerbaijano Allahshukur Pashazade, presidente do Conselho de Muçulmanos do Cáucaso, o cardeal nigeriano John Onaiyekan, arcebispo emérito de Abuja, e responsáveis do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) e da Comissão Episcopal Justiça e Paz. Os debates vão centrar-se no papel dos líderes religiosos na promoção do diálogo, mas também na participação dos jovens na prevenção de conflitos, no papel das mulheres como mediadoras de paz e no impacto de actividades mercenárias na segurança e na coesão social — um tema particularmente sensível para vários países africanos.

Entre os oradores convidados destaca-se ainda Rosaina Alberto, judoca angolana eleita Jovem Atleta do Ano em 2025, chamada a testemunhar sobre o papel do desporto na construção de pontes entre comunidades. A delegação diplomática angolana conta com os embaixadores Francisco José da Cruz (representante permanente junto da ONU), Miguel César Domingos Bembe (representante junto da União Africana) e Eustáquio Quibato (embaixador na Guiné-Conacri), além do major-general Agostinho Costa.

Para os organizadores, a escolha de Luanda para esta terceira edição não é acidental: a cidade simboliza, dizem, o percurso de Angola desde o fim da guerra civil até à reconciliação e à construção institucional, e o país tem vindo a assumir um papel activo na mediação de crises na região — um protagonismo reforçado pela distinção do Presidente João Lourenço como Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África. A iniciativa nasceu, de resto, de uma proposta apresentada durante o 9.º Fórum Global da UNAOC, realizado em Fez, Marrocos, em 2022.

O acesso de jornalistas ao Pavilhão Protocolar exige credenciação prévia junto do Centro de Imprensa de Angola (CIAM), conforme a legislação angolana em vigor para este tipo de eventos, e a transmissão dos trabalhos poderá ser acompanhada em directo através do sítio da UNAOC na internet.

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