As sondagens à boca das urnas dão ao Likud o primeiro lugar entre os partidos, mas colocam o bloco do antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot à frente da coligação de Benjamin Netanyahu. Nenhum dos dois chega à maioria, e a formação do Governo pode levar semanas ou meses, ou acabar em novas eleições.
Os israelitas foram às urnas na terça-feira, numas eleições vividas com um forte sentido de momento histórico. A participação foi recorde, mas, segundo as sondagens à boca das urnas, não saiu delas um vencedor claro. Os resultados projectados são um revés para o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, cuja coligação ficou atrás da do principal adversário, o antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot. Eisenkot apresentou-se como uma alternativa de linha dura a um Netanyahu marcado pelos processos judiciais.
Segundo a televisão pública Kan, o bloco liderado por Eisenkot elegerá 53 dos 120 deputados do Knesset, contra 50 do bloco de Netanyahu, e os partidos árabes ficarão com 17. São precisos 61 para governar. O Likud de Netanyahu mantém-se como o partido mais votado, com 24 a 25 lugares nas sondagens das principais televisões, à frente do Yashar!, de Eisenkot, com 21 a 23. A lista conjunta de NaftaliBennett deverá eleger 12 a 14 deputados, e o YisraelBeytenu de Avigdor Lieberman entre sete e nove. Só o Canal 14, próximo de Netanyahu, dá ao bloco de direita 60 lugares, a um da maioria.
Semanas ou meses de negociações
Nenhum dos dois tem um caminho claro para formar Governo. As negociações podem arrastar-se durante semanas ou meses, e não está excluída a convocação de novas eleições. Os resultados oficiais são esperados a 4 de Novembro, e o Presidente israelita, Isaac Herzog, tem até 11 de Novembro para encarregar um dos candidatos de formar Governo.
Até lá, Netanyahu continua no poder, e isso preocupa os analistas. Nos dias que antecederam a votação, a imprensa israelita e internacional noticiou que o primeiro-ministro queria atacar o Irão antes das eleições. “No curto prazo, a possibilidade de Netanyahu usar o seu poder, mesmo como primeiro-ministro interino, para fazer a guerra ao Irão continua a existir”, disse um analista do International Crisis Group ao Politico.