A cooperação entre os dois países está a alargar-se da construção de infra-estruturas para a indústria, a economia digital e as energias renováveis.
A cooperação económica e comercial entre Angola e a China continua a expandir-se para novos sectores, com cerca de 600 empresas de capitais chineses actualmente instaladas no país e um “stock” acumulado de investimento próximo dos 28 mil milhões de dólares, noticia o Jornal de Angola.
Os números confirmam uma trajectória de crescimento sustentado. Em Julho de 2023, o então embaixador chinês em Angola, Gong Tao, indicava que o número de empresas chinesas no país já ultrapassava as 400 e que o stock de investimento superava os 24 mil milhões de dólares. Em Outubro de 2025, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC), Luís Cupenala, referia que mais de 500 empresas de direito angolano com capital chinês operavam no país, e que o stock de investimento se mantinha acima dos 27 mil milhões de dólares.
Durante duas décadas, a presença chinesa em Angola foi marcada pela reconstrução nacional. A China é um grande investidor no país desde o início do século, com o chamado “Modelo Angola”, em que Luanda pagava os empréstimos chineses com exportações de petróleo. Segundo a embaixada chinesa, as empresas do país participaram na reabilitação de cerca de 2800 quilómetros de caminhos-de-ferro, 20 mil quilómetros de estradas, 100 mil habitações e mais de 50 hospitais.
Nos últimos anos, o foco tem mudado. Em Junho deste ano, o actual embaixador, Zhang Bin, afirmou que os dois países querem aprofundar a cooperação e explorar novas áreas, incluindo a inteligência artificial, a economia digital e as energias renováveis. O diplomata destacou investimentos já existentes em materiais de construção, imobiliário, indústria alimentar e têxtil, parques industriais, processamento de minerais e fabrico de componentes para veículos e equipamentos electrónicos. Ainda assim, apenas cerca de 5 mil milhões de dólares do investimento chinês estavam aplicados no sector não petrolífero, segundo dados divulgados pela CAC no ano passado.
Entre os projectos mais recentes está um acordo de 900 milhões de dólares, assinado em Julho com dois investidores privados chineses, para desenvolver a Zona Franca, incluindo um terminal portuário nos arredores da capital. Este ano abriu também uma fábrica de alumínio com capital chinês, e estão em desenvolvimento uma refinaria de óleo alimentar, uma plataforma logística e uma reserva nacional de cereais. Zhang Bin considerou o arranque da empresa Cristal Azul um novo marco na cooperação bilateral e um contributo para a industrialização e a diversificação da economia angolana.
Peso dominante e obstáculos
O peso da China no investimento estrangeiro é esmagador. Dos quase 600 projectos de investimento externo registados em Angola nos últimos cinco anos, com intenções que somam cerca de 22 mil milhões de dólares, a China representa aproximadamente 80%. O presidente da agência de promoção de investimento AIPEX sublinhou que a China deixou de ser apenas credora para se tornar investidora, destacando a rapidez com que as empresas chinesas tomam decisões, ao contrário das europeias.
No comércio bilateral, as trocas chegaram aos 24 mil milhões de dólares em 2024. Para 2025, os números divulgados variam entre cerca de 20 mil milhões e 28 mil milhões de dólares, consoante a fonte.
A relação enfrenta, no entanto, alguns entraves. Em Junho, a CAC alertou que obstáculos burocráticos e institucionais podem pôr em risco o investimento chinês no país, com o seu presidente, Luís Cupenala, a acusar algumas entidades de tentarem inviabilizar projectos.