A inflação homóloga em Angola voltou a desacelerar em Agosto, fixando-se em 8,78%, abaixo dos 9,33% registados em Julho, mantendo pelo segundo mês consecutivo uma trajectória abaixo dos dois dígitos, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), a variação registada em Agosto representa uma redução de 0,55 pontos percentuais face ao mês anterior e de 10,09 pontos percentuais em comparação com Agosto de 2025.
A evolução confirma a tendência de desaceleração observada nos últimos meses. Em Junho, a inflação homóloga situava-se em 10,11%, tendo recuado para 9,33% em Julho e, agora, para 8,78% em Agosto.
Alimentação continua a pressionar preços
Apesar da desaceleração do índice geral, os preços continuam a aumentar, embora a um ritmo inferior ao registado no ano anterior. A inflação mais baixa não significa, por isso, uma redução generalizada do custo de vida, mas antes uma moderação da velocidade a que os preços sobem.
A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas continuou a exercer a maior pressão sobre o nível geral de preços, com uma contribuição de 6,01 pontos percentuais para a inflação registada em Agosto.
Esta classe apresentou uma variação homóloga de 9,94%, enquanto a saúde registou 9,66% e as bebidas alcoólicas e tabaco 9,02%. A educação, embora tenha apresentado uma das maiores variações de preços, com 19,33%, teve uma contribuição de 0,37 pontos percentuais para o índice geral.
A forte contribuição dos produtos alimentares mantém-se, assim, como um dos principais factores a acompanhar na evolução da inflação, tendo em conta o peso destes bens no consumo das famílias.
Diferenças entre as províncias
A desaceleração da inflação não ocorreu de forma uniforme em todo o território nacional. Em Agosto, Cabinda apresentou a maior variação de preços, com 11,53%, seguida de Malanje, com 11,25%, e da Lunda Sul, com 10,69%. No extremo oposto, as menores variações foram observadas no Cuanza Norte, com 5,22%, no Huambo, com 5,85%, e no Cunene, com 6,69%.
Os dados mostram, deste modo, que a taxa nacional abaixo dos 9% esconde diferenças significativas na evolução dos preços entre as diferentes regiões do país.
Inflação abre espaço para política monetária
A desaceleração da inflação surge num contexto de alteração gradual das condições monetárias em Angola. O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou, em 15 de Setembro, uma nova redução das suas principais taxas de juro, em 1 ponto percentual, bem como a redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 17,5% para 16,5%.
A evolução dos preços constitui um dos factores relevantes para esta mudança de orientação da política monetária. Com a inflação a permanecer abaixo dos 10%, o banco central dispõe de maior margem para reduzir o grau de restritividade monetária, procurando simultaneamente preservar a estabilidade dos preços.
A descida da inflação representa uma mudança significativa face ao período recente. Segundo o INE, desde o início da actual série do IPCN, em 2015, esta é apenas a segunda vez consecutiva que a inflação homóloga se mantém abaixo dos 10%.
A manutenção desta tendência nos próximos meses dependerá, entre outros factores, da evolução dos preços dos alimentos, da taxa de câmbio, das condições monetárias e da dinâmica da actividade económica. Por enquanto, os dados de Agosto confirmam a consolidação de uma trajectória de desaceleração dos preços em Angola.