Mercado & Finanças

Industriais pedem aumento progressivo dos combustíveis e reforma dos transportes públicos

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, defendeu aumentos progressivos do preço dos combustíveis e um agravamento das taxas de importação de veículos a gasolina, como forma de reduzir o que classificou de “subsídios loucos” que o Estado desembolsa neste sector.

“Sem termos o preço da gasolina corrigido não vamos ter saúde, não vamos ter educação no nível que desejamos. Estamos a gastar o dinheiro em gasolina e quem tem carro a gasolina pode pagar um bocadinho mais”, afirmou, à margem do debate “África e o Mundo — Repensar o Presente e Redefinir o Futuro”, realizado esta semana em Luanda.

Severino comentava o recente aumento do preço do gasóleo, que passou de 400 para 420 kwanzas por litro (0,37 para 0,39 euros), mantendo-se a gasolina nos 300 kwanzas (0,28 euros). Para o responsável, a medida “não vai corrigir a estrutura de custos do país” e os aumentos “têm de ser progressivos, tal como outros países fazem”.

Mas para que tal seja socialmente sustentável, o presidente da AIA insiste numa condição: a reorganização dos transportes públicos. “Os transportes públicos não estão organizados para a classe média, para os operários e para os funcionários públicos que auferem menos”, criticou, defendendo a abertura do sector ao investimento privado como solução. Sem essa reforma, alertou, o impacto do aumento do combustível recairá desproporcionalmente sobre as camadas mais vulneráveis — e deverá também fazer-se sentir nos preços dos bens da cesta básica.

O Governo tem prosseguido uma política de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, argumentando que as verbas libertadas poderão ser canalizadas para projectos sociais e de infraestruturas. Em Abril, o executivo previu um crescimento de 3,2 biliões de kwanzas (cerca de 2,9 mil milhões de euros) nas receitas do país, em parte graças à subida do preço do petróleo no mercado internacional — embora uma fatia significativa desse montante continue a ser absorvida pelos subsídios aos combustíveis.

 

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