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FIFA mantém plano para vender participações em competições

A FIFA reafirmou que vai avançar com o controverso plano de abrir a investidores privados participações numa nova empresa comercial responsável pela exploração das suas principais competições, incluindo o Mundial, apesar da forte oposição de várias confederações, avançou a BBC.

A UEFA, que reúne 55 federações europeias, aprovou ontem, quinta-feira, dia 30, uma posição de boicote aos Mundiais caso o projecto avance. A CONCACAF, que representa 41 associações da América do Norte, Central e Caraíbas, também rejeitou a proposta apresentada pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino.

A FIFA precisa de pelo menos 106 dos 211 votos das suas associações-membro para aprovar o projecto. UEFA e CONCACAF representam, em conjunto, 90 votos.

Em comunicado, a FIFA afirmou que o processo de consulta foi prejudicado por informações incorrectas divulgadas pelos meios de comunicação social e garantiu que continuará a consultar as federações. A organização rejeitou ainda a ideia de que esteja a “vender o futebol”.

O plano de Infantino

A FIFA pretende criar uma subsidiária comercial denominada FIFA Forward Enterprise (FFE), na qual investidores externos poderão adquirir participações minoritárias, sem controlo da empresa.

Um documento de 25 páginas elaborado pelo banco de investimento JP Morgan prevê que os torneios da FIFA sejam expandidos, permitindo elevar os pagamentos às associações-membro para cerca de €24 milhões por federação no ciclo 2035-2039.

Infantino já prometeu às federações US$40 milhões caso apoiem a proposta. Deste montante, US$20 milhões seriam disponibilizados inicialmente a partir de 1 de Janeiro, desde que as associações aceitem o acordo até 19 de Setembro.

A UEFA acusa, porém, a liderança da FIFA de utilizar o futebol para “enriquecer a si própria e aos seus amigos” e considera que o Mundial não pode ser transformado num produto de investimento privado.

Se o projecto for aprovado, a empresa norte-americana de capital de risco Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, deverá liderar o grupo de investidores.

Cresce a oposição

Além da UEFA e da CONCACAF, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestou “profunda preocupação” com a forma unilateral como a FIFA apresentou o projecto e considerou “inaceitável” não ter sido consultada nem recebido análises detalhadas sobre os aspectos financeiros, jurídicos e de governação.

A Conmebol, que governa o futebol sul-americano, ainda não se pronunciou publicamente. A CAF, responsável pelo futebol africano, e a OFC, da Oceânia, deverão discutir a proposta em Agosto.

A ameaça de boicote da UEFA poderá ter consequências imediatas. O prazo para as federações aceitarem o acordo é 19 de Setembro, o que significa que algumas selecções europeias poderiam, em teoria, abandonar competições da FIFA mesmo durante a realização dos torneios.

Infantino enfrenta maior contestação

Infantino, eleito presidente da FIFA em 2016, derrotou então o presidente da Confederação Asiática, Sheikh Salman al-Khalifa, por 115 votos contra 88. O suíço deverá candidatar-se a um quarto mandato em Março de 2027.

Antes da actual polémica, esperava-se que fosse reeleito sem oposição. No entanto, fontes citadas pela BBC afirmam que a maioria das associações da CONCACAF perdeu ou está a perder a confiança na sua capacidade de liderar o futebol mundial.

África depende do financiamento da FIFA

A oposição europeia contrasta com a posição de várias federações de países mais pobres, especialmente em África, que dependem do financiamento da FIFA para infra-estruturas e programas de desenvolvimento.

Rogers Byamukama, da Federação Ugandesa de Futebol, defendeu que qualquer mecanismo capaz de gerar mais recursos para as associações africanas deve ser considerado. Segundo ele, a FIFA já financiou no Uganda projectos de infra-estruturas, programas de formação e iniciativas de futebol nas escolas.

Nos dois primeiros ciclos do programa FIFA Forward, até 2022, foram disponibilizados US$2,8 mil milhões para investimentos nas 211 associações-membro.

No programa FIFA Forward 3.0, relativo ao período 2023-2026, o financiamento aumentou 30%. Cada associação recebeu mais US$5 milhões, enquanto cada confederação recebeu adicionalmente US$60 milhões para os seus próprios projectos.

A disputa coloca assim em confronto duas visões: de um lado, UEFA e outras confederações que receiam a privatização de parte do futebol internacional; do outro, federações de países que consideram que novos investimentos podem significar mais recursos para desenvolver o futebol.

Apesar da contestação, Infantino continua a ser apontado como favorito à reeleição para um novo mandato em 2027.

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